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30 anos de um riso que não envelhece - Por Daniela Bitencourt Andara

Trinta anos.

Eu repito: trinta!!!


E, ainda assim, algo em mim parece não acreditar. Como o tempo consegue andar tão rápido??Porque, minha memória continua acreditando que foi ontem. Ontem que riamos sem filtro, sem elegância, sem preocupação em parecer inteligente. Ríamos com os Mamonas Assassinas como quem descobre que a vida, por vezes, pode ser debochada.


Ríamos um riso clandestino.

Daqueles que não dá para segurar. Que não pede autorização.


Eles de repente chegaram sem cerimônia, sem manual, sem coerência. Em um tempo em que o padrão era de "artistas sérios" intelectuais. E eles bagunçaram o cenário da música Brasileira. Em um país acostumado a classificar tudo: isso é culto, isso é popular... Eles fizeram o impensável: juntaram tudo e ainda riram da própria mistura.


Geniais, cômicos, bobos.

E quem disse que uma coisa anula a outra?


Talvez seja exatamente por isso que ainda ficaram guardados na nossa memória.


O tempo, (esse editor implacável), sempre costuma cortar excessos, modismos e arquivar o que não sustenta o próprio peso. Mas com eles, essa premissa não funcionou. Três décadas depois, a gente ainda canta. E, pior, ainda ri. Como se cada música fosse novidade. Porque o que ficou não foi só a trilha sonora.

Foi um estado de espírito leve e inocente.


Uma leveza quase irresponsável. Uma irreverência que hoje talvez pedisse desculpas antes de existir ou sofreria processos por racismo, homofobia e xenofobia. Tinham uma liberdade rara de não precisar provar nada pra ninguém (nem inteligência, nem profundidade, nem propósito!).


Só ser.


E há algo intrigante nisso tudo: eles não envelheceram!


Não envelheceram porque não tiveram tempo. Ficaram suspensos naquele instante brusco em que a vida acaba sem aviso. O acidente não levou apenas cinco jovens, levou futuros inteiros, futuros possíveis, caminhos que nunca vamos conhecer. Mas, em troca, congelou o que já existia.


E isso, embora seja muito triste, embora doa, também preserva.


Porque enquanto o tempo passa por nós (e passa rápido, implacável, às vezes até cruel!), para eles não passou. Permanecem intensos, exagerados, engraçados, vivos de um jeito que a memória insiste em manter.


Fomos nós que mudamos.

Somos nós que ficamos mais sérios, contidos, mais chatos, mais "explicáveis".


Talvez por isso, vez ou outra, insistimos em apertar o play.


Não exatamente para escutar as músicas.

Mas pela chance de revisitar e lembrar de quem éramos quando rir era simples e suficiente.


Trinta anos depois, a gente entende:

algumas vozes se calam para sempre, mas o eco não.


E o deles… ainda faz bastante barulho.


Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo

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