31 mulheres ativistas são homenageadas com Prêmio Jacobina em São Leopoldo
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- 21 de nov. de 2024
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São Leopoldo celebrou a força e o protagonismo feminino com a entrega do Prêmio Jacobina Mentz Maurer. Realizada no auditório da Secretaria de Educação nesta terça-feira (19), a cerimônia destacou 31 mulheres que se sobressaíram em diferentes áreas da sociedade, como direitos humanos, sustentabilidade, literatura, combate à fome e enfrentamento à violência.
Instituído pela Lei 8.770/2018, o prêmio, que está em sua terceira edição, reconhece o trabalho de mulheres que promovem transformações sociais. “Esse prêmio é muito especial, depois de tanta luta que nós passamos, nós mulheres, mães, que lutamos para poder retornar à vida normal. Cada uma tem uma luta, uma história, uma conquista”, destacou Gislaine Garcia da Silva, líder comunitária da Ocupação Steigleder e uma das homenageadas.
A abertura da solenidade contou com apresentações musicais de Marilene Andrade e Gerson Bueno, além da acordeonista Dudy Eduarda. As vencedoras foram escolhidas por uma comissão formada pela Secretaria Municipal dos Direitos Humanos (Sedhu), o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) e representantes de instituições acadêmicas, com indicações distribuídas em 13 categorias.
Durante o evento, o secretário de Direitos Humanos (Sedhu), Anderson Bittencourt, conhecido como Mano Astral, ressaltou o papel transformador das políticas públicas para as mulheres no município. “Com a gestão pública do prefeito Vanazzi, a gente vem promovendo essas ações propositivas para que possamos empoderar as mulheres e melhorar enquanto seres humanos, como sociedade, no caminho de mais respeito e garantia dos direitos humanos". Já Salete Souza, diretora de Políticas Setoriais da Sedhu e uma das organizadoras do evento, emocionou o público ao conectar a história de Jacobina com a trajetória das premiadas. “É um orgulho olhar essa plateia e ver mulheres plurais, de diferentes raças, etnias, classes sociais e idades. Vocês são exemplos de força, garra e amor por aquilo que fazem”, declarou.
Eliene Amorim, secretária de Políticas para as Mulheres, também reforçou a necessidade de ocupar espaços e defender direitos, destacando o legado de Jacobina Maurer. “A luta das mulheres é permanente e precisa ser fortalecida. Seguimos firmes nos 21 Dias de Ativismo", destacou.
Quem foi Jacobina Mentz Maurer
Jacobina Mentz Maurer foi uma líder religiosa e protagonista da Revolta dos Muckers (1868-1874). Casada com João Jorge Maurer, liderou uma comunidade independente no Morro Ferrabraz, em Sapiranga, na época colônia de São Leopoldo. João e Jacobina cuidavam de enfermos, devido a escassez de médicos. A comunidade cresceu e pela sua organização causou impacto na sociedade local, que a acusou de bruxaria, difamando sua imagem. A Revolta dos Muckers foi reprimida por tropas do império e Jacobina foi assassinada em 2 de agosto de 1874.
Confira as Jacobinas premiadas
Literatura:
Cíntia Regina Maciel: moradora do bairro Arroio da Manteiga. É graduada em Letras e pós-graduada em Neuropsicopedagogia, e escreve poemas e poesia sobre mulheres para mulheres.
Kátia Simone Müller Dickel: moradora do bairro Feitoria. É graduada em Letras e mestre em Educação pela UFRGS, e escritora do livro “Ela disse Não”.
Dominga Menezes: moradora do bairro Pinheiro. É coautora do livro “Invisíveis: O lugar de indígenas e negros na história da imigração alemã”. É graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Unisinos, com experiência em jornalismo diário, assessoria de imprensa parlamentar e gerenciamento de projetos de comunicação social e corporativa, além de ser sócia-fundadora e editora da Carta Editora & Comunicação.
Enfrentamento à violência:
Andréia de Oliveira Bastião: moradora do bairro Arroio da Manteiga. É soldado da Brigada Militar e fiscalizadora de medidas protetivas e atendimento à mulher vítima de violência na Patrulha Maria da Penha.
Letícia Dias Fagundes: moradora do Morro do Espelho. É jornalista e fundadora do Instituto Mulheres Jornalistas, uma instituição jornalística que defende a igualdade de gênero, o empoderamento e a representatividade das mulheres na sociedade, lutando contra a violência política de gênero e a violência contra jornalistas.
Michele Mendes Arigony: delegada da Polícia Civil. É titular na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em São Leopoldo (Deam).
Tânia Sansone: moradora do Bairro São Miguel. Sua caminhada é longa como mulher negra na cidade. Enfrentou muita violência de gênero e religiosa. Foi a primeira mulher negra a fazer um culto afro em uma Igreja Pentecostal em São Leopoldo. E por causa da violência saiu da igreja. Hoje é sacerdotisa da Ruah e teóloga feminista. Sua formação na teologia é nas questões de gênero e religião. Incluindo educação antirracista.
Sustentabilidade:
Cláudia Sá: moradora do bairro Feitoria. É idealizadora da Feira Bem Vestida, a maior feira de brechós do RS, evento anual que impacta positivamente a vida das mulheres empreendedoras, ressignificando mais de 10 mil peças/ano e incentivando o consumo sustentável.
Júlia Rolim da Silva: moradora do bairro Campina. Um grupo com oito mulheres se organizou para criar algo maior, pensando no empreendedorismo feminino e protagonismo sustentável, a EcoLab. Também é sócia na Interventura, uma empresa focada em soluções que transformam a vida das pessoas e conectando à comunidade aos negócios locais em prol da transformação dos espaços pela cidade.
Comunitário:
Andrea Ramos dos Santos: moradora da Ocupação Redimix no bairro Santos Dumont. É idealizadora do Projeto K’Anjos, uma cozinha social que alimenta centenas de pessoas, e atende crianças e adolescentes no contraturno escolar, com atividades lúdicas, educativas e sociais.
Cláudia Maria Alves dos Santos: moradora do bairro Vicentina. Prepara mais de 100 refeições por semana na cozinha social Barriguinha Cheia, garantindo para as mulheres moradoras e seus filhos uma alimentação saudável e combatendo a fome.
Gislaine Garcia da Silva: moradora do bairro Santos Dumont. É coordenadora da Ocupação Steigleder e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM).
Maria Amorin: moradora do bairro Campina. Aos 85 anos, Maria é ativa, articuladora e mobilizadora de políticas públicas para mulheres e da Associação Arte Cultura para Paz Isaura Maia.
Raquel Morais Otero: moradora do bairro Rio do Sinos. É voluntária da Ocupação Steigleder. Organiza e distribui alimentação para mais de 200 pessoas por semana no galpão da ocupação há mais de três anos.
Vanilda Egger da Silva: moradora do bairro Arroio da Manteiga. Atua no empoderamento das mulheres, fortalecendo a geração de renda através da horta comunitária, no enfrentamento às violências domésticas, sendo referência para os encaminhamentos de informações.
Direito da Criança e do Adolescente:
Delci Teresinha de Mello: moradora do bairro São Miguel. realiza atividades na defesa dos direitos da criança e do adolescente e da política de assistência social através do Instituto Lenon Joel Pela Paz.
Direito da Pessoa com Deficiência:
Neuma Maria da Silva Andrade Borba: moradora do bairro Campina. Atua na Casa da Jéssica, que faz parte da Associação Artecultura Para a Paz Isaura Maia (AAPPIM). A residência inclusiva promove cuidados e autonomia para jovens e adultos com deficiência.
Empreendedorismo:
Cláudia Maria dos Santos Sampaio: moradora da Seller. O empreendimento da Cláudia é a Kakau Crocheteria, voltado para a confecção de peças artesanais em crochê e tramas com jornais, que nasceu devido à necessidade de gerar uma renda extra, porém com o passar do tempo começaram também a produzir os trabalhos em crochê com fios sustentáveis (algodão e juta). A Kakau Crocheteria participa de feiras de economia solidária e da Expo Black.
Iara Cristina Nunes do Rosário: moradora do bairro Jardim América. É empreendedora da Pretchinhax.sul Roupas e Acessórios Afro, voltado à sustentação de autoestima e referência, demonstrando a valorização da ancestralidade e do culto ao sagrado.
Isabella Coelho Back: moradora do bairro Centro. É proprietária do Afronte Bar & Espaço Cultural. Inaugurado em maio de 2023, o espaço oferece uma combinação de ambiente de bar e restaurante com atividades culturais, como exposições de arte, performances ao vivo, eventos literários, shows de drag queens, karaokê e feiras de empreendedores locais. Destinado, principalmente, a proporcionar um ambiente seguro para a comunidade LGBTQ+ e mulheres.
Sílvia Kurtz Bemvenuti: moradora do bairro Centro. É proprietária da La Casa Frida, um espaço temático que homenageia a artista plástica mexicana Frida Kahlo. É um espaço multicultural, que abre espaço para os artistas da cidade, fomentando cultura e entretenimento.
Protagonismo Juvenil:
Camille Nogueira Piroscia: moradora do bairro Centro. É escritora de poemas. Em outubro, lançou o livro “De declarações a rosas” na abertura do show da Banda Viana Moog na 38ª Feira do Livro Ramiro Frota Barcelos e na Livraria No Pátio.
Educação Formal:
Márcia Diehl Pereira: moradora do bairro Centro. É professora ativa na comunidade leopoldense e leciona há 17 anos na EEEM Cristo Rei. Formada em Educação Física, com especialização em Gestão Escolar e Orientação Educacional, realiza um trabalho voltado às necessidades individuais de cada educando.
Diversidade:
Patrícia Pires: moradora do bairro Campina. Atua no Coletivo “Mães da Diversidade”, que presta auxílio para mães que têm filhos LGBTQIA+, e que convivem com o medo de perdê-los para a homofobia.
Saúde:
Janaína Silva da Cruz: moradora do bairro Centro. Atua no Projeto Odara em Movimento, promovendo o cuidado e saúde mental, principalmente das mulheres, através de terapias complementares.
Tatiane Garcia: moradora do bairro Cristo Rei. Presta atendimento especializado para crianças neurodivergentes, principalmente autistas. É fonoaudióloga especialista em autismo e proprietária da clínica Moriah Terapias integradas Ltda. A profissional é autista e especializada em várias áreas referentes ao transtorno.
Povos e Comunidades Tradicionais:
Águida Guiomar Pires: moradora do bairro Pinheiro. P. Mãe Águida é sacerdotisa do P.Tumpiz Terreiro de Umbanda Pesquisa e iniciação, P.Preta Velha Zimba do Congo onde é dado apoio espiritual e terapêutico para mulheres, especialmente as que enfrentam câncer, para promover um acolhimento. Além disso, participa ativamente de campanhas de doação de alimentos, vestuário e itens de higiene, com uma atuação contínua ao longo do ano, principalmente depois da enchente de maio.
Eliana Fátima Souto: moradora do bairro Santos Dumont. É Ialorixá (mãe de santo). Zeladora da Cultura Gege na organização Afroumbandista Ilê Oni Bará, que faz atendimento às mães solos, com foco nas crianças, palestras e orientação, inclusive de gênero no enfrentamento às violências.
Isabel Cristina Passos: moradora do bairro Rio dos Sinos. Atua na Associação Ilê Axé Oyawoye, onde acolhe toda uma comunidade diariamente, alcançando palavra, conforto, alento, alimento, espaço para higiene, abrigo e dignidade, recebendo profissionais do sexo atuantes na região, mulheres cis, trans e travestis, assim como todo o público LGBTQIAPN+.
Organização da Sociedade Civil:
Jaqueline Maria D’Avila de Souza: moradora do bairro Santos Dumont. Faz parte da Liga Leopoldense de Esporte Amador. Atua na criação de 19 grupos de mulheres para rodas de conversa, estudo de direitos e o entendimento do papel da cidadã civil.
Marta Regina Montenegro Corrêa: moradora do bairro Arroio da Manteiga. Faz parte do Grupo Mãos e Sonhos.
Homenagem Póstuma (in memoriam):
Vítimas da enchente de maio: Alberi Neri Machado de Souza, Carlos Alberto Dias, Eneide Vargas, João Carlos Dias, João Nelio Silva Barbosa, Paulo Fernando da Silva, Silvio da Silva e Valdemar Cesar Kuhn.
Desaparecido: Carlos Eduardo Lassakoski dos Santos.
























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