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A história de Marques de Sade, o homem mais depravado da história


Mesmo enfrentando duras críticas, seus textos circulavam clandestinamente e inspiraram escritores como Victor Hugo, Gustave Flaubert e Honoré de Balzac.

“A filosofia na alcova”, obra escrita pelo Marquês de Sade, relata uma série de diálogos entre diferentes personagens que falam sobre filosofia, moralismo e sexo. Foram os textos desta obra e outros mais, que deram a fama de depravado a Sade e fizeram com que os seus escritos ficassem escondidos durante séculos nos recônditos das bibliotecas e, ainda hoje, fazem enrubescer os leitores mais puritanos.


Nascido em Paris, em 1740, o marquês Donatien Alphonse François de Sade ficou conhecido como um libertino, cuja obra atentava contra a moral e os bons costumes da época em que viveu.


Preso inúmeras vezes sob a acusação de agressões sexuais e imoralidade, ele teve seus textos censurados por causa da carga erótica que eles traziam, associando o sexo à violência e à crueldade, explorando cenas de torturas, assassinatos, incestos e estupros. De sua produção nasceu a palavra “sadismo”, até hoje usada para referir-se a situações de tortura e crueldade empregadas para provocar prazer em quem as pratica.


Mesmo enfrentando duras críticas, seus textos circulavam clandestinamente e inspiraram escritores como Victor Hugo, Gustave Flaubert e Honoré de Balzac.


Acusado de praticar crimes de luxúria contra a sociedade francesa do século XVIII, Sade passou a maior parte de sua vida na prisão e foi nela que escreveu vários dos seus livros.

Ao longo de sua vida, o marquês de Sade ficou 27 anos encarcerado, passando por diferentes presídios e sanatórios.


No cárcere, ele leu e escreveu muito, desenvolvendo uma filosofia alternativa sobre o comportamento humano.


Considerada maldita e pornográfica, a sua obra foi marcada por obras como “Os cento e vinte dias de Sodoma”. Escrita em 1785, época em que ele estava preso na Bastilha, o livro foi copiado em um rolo fino de papel, com 12 metros de comprimento. O texto só foi encontrado em 1904 e qualificado como “um longo catálogo de perversões”.


Nessa obra, quatro homens ricos se fecham no castelo de Silling, localizado na Floresta Negra. Ricos e perversos, eles mantêm escravos e escravas sexuais e quatro contadoras de histórias que são responsáveis por relatarem as 600 perversões sexuais que foram praticadas ali.


Em 1957, a obra de Sade deixou de ser lida às escondidas e foi publicada por um editor francês, mas foi apenas em 1990 que seus escritos chegaram a uma grande editora e ele foi incluído no catálogo da Pléiade entre os grandes nomes da literatura universal.

O mundo retratado em seus escritos é marcado pela transgressão, sodomia e libertinagem, sempre associados a crimes e violência.


Considerado um homem à frente de seu tempo, ele é visto por parte da crítica como um humanista, defensor da abolição da pena de morte. Foi justamente por causa de seus protestos contra a morte de prisioneiros da Bastilha, que ele foi transferido para um sanatório.


Em 1790, o Marquês de Sade foi colocado em liberdade, mas 3 anos depois foi novamente internado em um hospício e de lá nunca mais saiu. Morreu aos 74 anos, tão obeso que já não conseguia mais escrever com a intensidade de antes e completamente incompreendido pela sociedade conservadora da época em que viveu.


Quanto à sua obra, até hoje ela é objeto de polêmica. Há quem o analise do ponto de vista filosófico e o considere um precursor dos estudos sobre sexualidade. Há quem diga que ele não pode ser considerado um autor de literatura pornográfica porque o que escreve não tem a menor qualidade literária. Há, ainda, aqueles que mergulham em seus escritos e analisam o modo como ele descreveu práticas sexuais em uma época em que falar de sexo era proibido e quem o fazia era considerado um libertino depravado.


Fonte: iconografiadahistoria.com.br


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