Agricultores protestam em Porto Alegre para cobrar ações dos governos contra estiagem


Imagem: Mauro Schaefer/ Correio do Povo.

Agricultores familiares e camponeses estão concentrados, na manhã desta quarta-feira (16), em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, localizado na avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O grupo cobra ações dos governos gaúcho e federal, a fim de minimizar os efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul.


A avenida Getúlio Vargas chegou a ficar bloqueada ao trânsito no trecho. Agentes da EPTC e Brigada Militar estão no local. Os agricultores solicitam a liberação de crédito e auxílio emergencial, assim como R$ 23 milhões do BNDES que estão na conta do governo do Estado e a criação de um Comitê Estadual da Estiagem com participação de secretarias e órgãos do governo. Em relação ao governo federal, os agricultores reivindicam o repasse de crédito e auxílio emergencial, anistia das dívidas e a liberação de milho com valor subsidiado.


O Rio Grande do Sul é o estado mais atingido pela seca, considerada a pior estiagem dos últimos 30 anos. Dos 497 municípios, 409 já decretaram situação de emergência por conta da estiagem que assola as lavouras e esvazia reservatórios no Estado. Segundo dados da Emater/Ascar – RS, mais de 257 mil propriedades de 9,6 mil localidades, sofrem com os efeitos da estiagem, situação essa que deixa 17,3 mil famílias com dificuldade de acesso à água.


Em todo o Estado, produtores de milho, produtores de soja e a produção leiteira registram perdas. Mais de 54,7% da produção de milho foi perdida, a quebra na safra de soja alcança os 43,8% e os prejuízos previstos já ultrapassaram os R$ 27,8 bilhões. A situação também prejudica os consumidores urbanos com o aumento significativo dos preços de alimentos.


Durante o dia, os agricultores familiares e camponeses seguirão em mobilização com objetivo de mostrar para os governos, a alarmante situação que estão enfrentando e também estarão solicitando, novamente, uma audiência pública com a secretária da Agricultura, no intuito de cobrar ações efetivas.


Ato simbólico


Em uma das ações, dezenas de agricultores participaram de um ato simbólico de doação de sangue no Hemocentro de Porto Alegre. A ação reforça a solidariedade da população do campo, que mesmo em seus momentos mais difíceis não mede esforços para ajudar o próximo. O estoque de sangue em hospitais e hemocentros do RS é crítico, e a urgência na doação é necessária.


Além dos trabalhadores da agricultura familiar, que são oriundos de diversas regiões do Estado, também participam da ação movimentos urbanos, comunitários e sindicais. Fazem parte da mobilização integrantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES) e do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio Grande do Sul (CONSEA-RS), com apoio da CUT-RS.


Fonte: Correio do Povo

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