Aluno com atrofia muscular espinhal se forma em Direito na Unisinos em São Leopoldo


Formatura de Fabrini Landevoigt Parenza, aluno do curso de Direito portador de Atrofia Muscular Espinhal (AME) | Imagem:: Gustavo Ev / Unisinos

A formatura do curso de Direito da Unisinos, universidade localizada em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, na última sexta-feira (10) foi mais especial do que o comum. Isso porque um dos formandos era Fabrini Landevoigt Parenza, aluno de 30 anos portador de atrofia muscular espinhal (AME), uma doença neuromuscular rara, progressiva e muitas vezes letal.


Depois de 10 anos de estudo, o morador de Estância Velha foi o grande personagem da cerimônia realizada no campus da universidade. Ao lado de sua mãe, Andrea de Oliveira Landevoigt, que acompanhou Parenza diariamente nas idas à faculdade, e de professores que o orientaram durante o processo, o aluno emocionou-se na hora de receber o diploma.


"Meu coração está transbordando de alegria. Essa foi uma das maiores aventuras da minha vida", disse.

Sob orientação do professor André Luiz Olivier da Silva, também coordenador do curso de Direito da Unisinos, Parenza dedicou seu trabalho de conclusão de curso a um debate sobre conceitos de justiça, aproximando ideias de igualdade e diferença - de certa forma, também um trabalho sobre como oportunidades iguais só são atingidas quando existem condições iguais.


"Eu posso ser encarado como um exemplo de superação, claro, mas contei com o apoio da minha família, com a oportunidade concedida por políticas públicas, com a tolerância dos professores e o acolhimento da própria comunidade acadêmica", explica, fazendo um paralelo entre o estudo e sua experiência pessoal.


Para o professor orientador, a trajetória de Parenza também demonstra excelência acadêmica: "Ele precisou de condições especiais, porque tem os movimentos limitados. Essas condições o colocaram em patamar de igualdade com os outros, e ele demonstrou excelência. Nunca foi um aluno médio, sempre teve notas ótimas, mostrou interesse, curiosidade e muita vontade. É um homem questionador, interessado no Direito e detentor de muito mérito acadêmico", ressalta o professor Olivier da Silva.


A AME é uma doença que afeta as células nervosas da medula espinhal que controlam os músculos, causando dificuldades de locomoção, podendo também causar problemas de alimentação e respiração. Normalmente, a doença acomete bebês, podendo ser letal.


Reconhecimento

Diariamente, Parenza contou com a ajuda da mãe para se locomover até a universidade. Andrea levou o filho todos os dias para as aulas. Durante os 10 anos em que duraram os estudos, esperou pelo fim das classes nos corredores da Unisinos para levar o filho de volta para casa.


Durante a cerimônia, o reitor da Unisinos, Marcelo Fernandes de Aquino, reconheceu a dedicação de Andrea.


"Tu também és graduada em Direito", disse. O filho também conta que se emocionou muito. "Fiquei emocionado em poder falar, tirar uma foto com a minha mãe, ouvir meus professores. Tudo muito emocionante. E, para mim, as emoções cansam", conta.


Atualmente, Parenza tem acompanhamento médico e faz fisioterapia, que ajuda no alongamento dos músculos. A AME é conhecida por ser uma das doenças com o tratamento mais caro do mundo.


No caso de Parenza, que tem AME tipo 2, há duas possibilidades de tratamento, nenhuma delas coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS): um remédio via oral que deve ser tomado diariamente ou uma injeção que precisa ser aplicada de duas a três vezes por ano. Ambos custam cerca de R$ 100 mil por mês.


"As pesquisas avançaram muito nos últimos anos, então estamos na fase de decidir qual é o melhor tratamento", conta.


Agora graduado, Parenza já pensa nos próximos passos. O primeiro é se preparar para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Depois, pretende se dedicar aos tribunais.


"Quero advogar. Já tenho convites de conhecidos e vou me dedicar a isso".


Fonte: G1


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