Após queixa de estupro, mexicana é condenada a 7 anos de prisão e 100 chibatadas no Qatar


Paola Schietekat | Imagem: Reprodução/Youtube/SinEmbargo Al Aire

Segundo a sharia, lei islâmica, vigente no Qatar, a pessoa que cometer adultério é condenada a sete anos de prisão e 100 chibatadas. Essa foi a sentença proferida à mexicana Paola Schietekat, de 27 anos, após realizar uma queixa de estupro. O homem que a teria abusado sexualmente afirmou, durante um interrogatório frente a frente com a vítima, que eles mantinham um relacionamento extraconjugal. As informações são do UOL.


Paola trabalhava como economista para a empresa Supreme Committee for Delivery and Legacy, que é responsável pelas obras de estádios e estruturas para a próxima Copa do Mundo de 2022. Por isso ela estava no Qatar, país que irá sediar o campeonato.


No entanto, suas participações nos projetos foram interrompidas após um homem ter entrado no seu dormitório, que ficava na cidade Doha, no dia 6 de junho de 2021, e estuprá-la.


Após o abuso, Paola contatou o consulado mexicano no Qatar e foi acompanhada do cônsul, Luis Ancona, até uma delegacia para realizar uma notícia-crime. Para corroborar o relato, eles apresentaram um laudo médico e fotos de hematomas roxos deixados pelo homem nos braços, ombros e costas da mulher.


“Quando me perguntaram se eu queria uma ordem de restrição, não fazer nada ou ir até as últimas instâncias eu congelei, pelo choque, por medo e por falta de sono. Voltei a consultar o cônsul, que recomendou ir até o fim”, disse Paola em entrevista ao jornalista Julio Astillero.


Então, os policiais prenderam o suspeito e o levaram até a delegacia. Ao ser questionado, ele afirmou que mantinha um relacionamento extraconjugal com Paola. Após isso, ela deixou de ser tratada como vítima e passou a responder por adultério.


Uma corte em Doha inocentou o homem da acusação e condenou a mexicana.


Saída do país

Após a sentença, a empresa Supreme Committee for Delivery and Legacy intermediou a saída emergencial de Paola do Qatar, no dia 25 de julho de 2021.


“Nunca respirei mais aliviada do que quando carimbaram meu passaporte. No México, a adrenalina diminuiu e começou um processo mais lento, ainda que igualmente complexo e doloroso”, relatou.


No entanto, o processo continua no país árabe. No último dia 14, Paola foi convocada para a segunda audiência, mas nem ela, sua advogada e representantes do consulado mexicano compareceram.


Por conta disso, a audiência foi remarcada para o dia 6 de março.


No último dia 17, Paola se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, para elaborar uma nova abordagem, pois, segundo a economista, ela deseja retornar para o Qatar.


Fonte: Istoé

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