Associação Riograndense de Imprensa promove evento para lembrar os 60 anos do movimento Legalidade


Foto: Chico Júnior

SÃO LEOPOLDO: na tarde/noite da última sexta-feira, 27 de agosto, se presenciou momentos de comoção e de resgate de um ato histórico que colocou Leonel Brizola entre os heróis da pátria brasileira. No dia 25 de agosto, foi celebrado o sexagenário da Legalidade e, em celebração à data, na sexta-feira (27), em uma promoção da Associação Riograndense de Imprensa com o apoio do Serviço Municipal de Água e Esgotos de São Leopoldo (Semae) e Secretaria de Cultura e Relações Internacionais (Secult), foi realizado um painel com a presença ilustre de Carlos Bastos, jornalista que esteve ao lado de Brizola em 1961, e Zeca Brito, diretor do filme Legalidade que foi exibido após as falas dos convidados. Estavam presentes no bate-papo o presidente da ARI, José Nunes, o vice-prefeito de São Leopoldo e presidente do PDT municipal, Ary Moura, e o secretário de Cultura e Relações Internacionais, Pedro Vasconcelos.


Devido a pandemia, o evento teve restrição de público, cerca de um quarto da capacidade do teatro, sendo direcionado especialmente à cúpula trabalhista local, além de autoridades do município. Entre as autoridades presentes, estavam o líder do governo na Câmara de Vereadores, Rafa Souza (PDT), o vereador Fabiano Haubert (PDT), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico, Juliano Maciel, o secretário de Administração, Thiago Gomes, o secretário de Esportes, Douglas Dalua, e a secretária de Direitos Humanos, Paulete Souto. A plateia ainda contou com a presença do presidente municipal do PCdoB, Alessandro Jochem, e representando o PT de São Leopoldo, o ex-presidente do diretório municipal, Guilherme Louzada, prestigiou o evento.


O painel foi memorável, especialmente na figura do jornalista Carlos Bastos, que resgatou o acontecido nos porões do Palácio do Piratini ao longo da campanha da Legalidade. Nas palavras de Bastos, em tanto tempo como jornalista, assumindo diversas funções em veículos de comunicação e assessorando governos, até os 82 anos de idade - atualmente está com 87, a Campanha da Legalidade foi o único evento da sua história profissional em que foi mais militante do que jornalista. “A campanha da Legalidade é o único movimento de resistência a um golpe militar em toda a história, que foi liderado por um civil, por Brizola. Todos os outros movimentos do universo foram de militares para militares”, lembrou.


O cineasta Zeca Brito, que trouxe esse contexto histórico da Legalidade para dentro de um longa metragem, mesclando a história com elementos de ficção, como o triângulo amoroso que envolve dois jornalistas, um deles, inclusive, inspirado em Bastos, destacou o quanto é importante falar sobre esse tema na atualidade, tempos nefastos de autoritarismo, onde os projetos culturais estão abandonados. “Filmamos em 2017, um pouco antes da consolidação do governo que aí está e da triste realidade que a cultura vive em nosso país. Hoje, o filme Legalidade não seria aprovado em nenhuma lei de incentivo à cultura, em nenhum projeto. Não há dúvidas quanto a isso”, afirmou.


Já o presidente da ARI, José Nunes, ponderou que o painel foi uma verdadeira aula de história e civismo. “O Bastos deixou claro que naquele tempo a imprensa escolheu a Democracia. Espero que esse sentimento democrático, ainda esteja impregnado na cabeça e coração de todos os jornalistas. Temos que nos espelhar no passado, em especial neste momento em que a democracia é constantemente atacada".


O vice-prefeito de São Leopoldo, Ary Moura, lembrou do tempo em que circulava pelos porões do Piratini, ao lado de Bastos, quando ambos trabalhavam no governo Collares, no início da década de 1990, e elogiou a iniciativa de Zeca Brito em reconstruir aquele fato histórico. “É um momento de manter vivo o legado do trabalhismo, o legado de Brizola, do quanto lutamos em prol dos menos favorecidos. O Bastos viveu de perto a Legalidade, eu pude conhecer a história e pude conhecer os porões do Piratini quando trabalhei no governo Collares, junto com o Bastos inclusive. É importante agradecer e reconhecer o trabalho do Zeca Brito que através dessa brilhante obra nos permitiu ver esse momento fantástico da nossa democracia pelas telas do cinema”, agradeceu.


Ao final do painel, o filme Legalidade foi exibido em mais uma agenda após a reinauguração do Teatro Municipal, que é um importante espaço de promoção da cultura e da arte em São Leopoldo, como celebrou o secretário Pedro Vasconcelos.


Colaboração: Jornalista Chico Júnior



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