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Bebê recém-nascida é resgatada de dentro de latrina em reserva indígena em Redentora


Criança foi resgatada por dentista ainda com o cordão umbilical e coberta de fezes e areia | Imagem: Gustavo Renan/Arquivo pessoal

Uma criança recém-nascida foi resgatada por um dentista da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) de dentro de uma latrina na Reserva Indígena do Guarita, em Redentora, na Região Norte do RS. O bebê foi encaminhado ainda na segunda-feira (28) ao Hospital Santo Antônio, de Tenente Portela, e passa bem. A Polícia Civil investiga o caso.


O resgate foi feito por Gustavo Renan, dentista que atende a população indígena da reserva, a maior do RS, duas vezes por semana. Ele foi avisado por uma indígena que havia uma criança em uma espécie de vaso sanitário improvisado pelos moradores do local.


"Quando cheguei, vi uma latrina cheia de fezes e areia. Coloquei a lanterna do celular e ouvi um choro bem baixo, quase um murmúrio. Arranquei o assento de madeira, enfiei as mãos nas fezes e tirei uma criança lá de dentro. Quando tirei, parecia um zumbi. Não se enxergava o rosto, porque estava coberto de larvas", conta o dentista. De acordo com Renan, a criança ainda estava com o cordão umbilical preso ao corpo e coberta pela placenta, o que sugere que o parto havia sido realizado havia pouco tempo. Além de fezes, a latrina estava coberta de areia.


Depois de limpar a criança, o Samu foi chamado ao local. No entanto, um carro da Sesai acabou levando o bebê até o hospital mais próximo.


A mãe da criança também foi encaminhada para atendimento. Ainda não há informações de quem enterrou o bebê e qual foi o motivo da ação.


O episódio chegou ao conhecimento da Secretaria Municipal de de Administração de Tenente Portela, que acionou também a Promotoria de Justiça da cidade, que também faz parte da área da reserva.


Nesta quarta-feira (30), Gustavo Renan prestou depoimento à Polícia Civil. Segundo ele, o resgate rápido foi questão de sorte.


"Em primeiro lugar, a minha atitude não teve nada de heroica. Fiz o mínimo que um ser humano pode fazer. Não sei quanto tempo ela ficou naquele lugar, se 20 minutos, meia hora, uma hora... Quando tirei ela dali, foi uma cena horrível, que às vezes volta à minha cabeça e me deixa mal", relata.


No dia seguinte ao resgate, o dentista foi ao hospital visitar a bebê salva por sua atitude.


"Ela está bem, é a coisa mais lindinha. É um milagre, acho que Deus me colocou ali", conta.


Fonte: G1

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