Bovespa cai mais de 2% e renova a pior pontuação do ano


Nesta quinta-feira, o Ibovespa teve queda de 2,09%, a 103.412 pontos. | Imagem: Luiz Prado.

O principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, fechou em forte queda nesta quinta-feira (4), após a Câmara dos Deputados aprovar apenas em 1º turno a PEC dos Precatórios, que dribla o teto de gastos e viabiliza o financiamento do Auxílio Brasil no ano eleitoral de 2022.


O Ibovespa recuou 2,09%, a 103.412 pontos. Trata-se da pior pontuação de 2021 e a mais baixa desde 12 de novembro de 2020 (102.507 pontos).


Na quarta-feira, a bolsa fechou em alta de 0,06%, a 105.617 pontos. No acumulado do mês, a bolsa tem alta de 2,04%. No ano, a perda é de 11,26%.


O mercado também teve impactos de uma série de resultados corporativos, como Itaú Unibanco, Rede D'Or e Ultrapar entre as maiores quedas, enquanto Cielo subia.


As ações de bancos tombaram, com Itaú recuando mais de 5%, enquanto Bradesco perdia mais de 6% e Banco do Brasil, 2,5%. Petrobras tombava mais de 3%. Já as ações da Cielo tinham alta de mais de 2%.


Cenário


Na madrugada desta quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou em votação apertada o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Os parlamentares ainda precisam votar os chamados destaques (sugestões pontuais de alteração no texto principal) e o segundo turno.


A PEC é a principal aposta do governo para viabilizar o programa social Auxílio Brasil — anunciado pelo governo para suceder o Bolsa Família. A proposta adia o pagamento de precatórios (dívidas do governo já reconhecidas pela Justiça), a fim de viabilizar a concessão de pelo menos R$ 400 mensais aos beneficiários do novo programa.


O governo, contudo, voltou a negociar com aliados depois de ameaças de que a proposta fosse barrada na segunda votação. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), informou que a votação da proposta será retomada na próxima terça (09).


O risco de rejeição foi levantado porque, dos 312 votos favoráveis à PEC dos Precatórios, 25 vieram de partidos que fazem oposição ao governo Jair Bolsonaro. Dentre 21 votos de deputados do PDT, 15 votaram a favor da PEC. No PSB, foram 10 em 31.


"Não acredito em mudanças partidárias bruscas porque todos os assuntos da PEC são claros, são evidentes. Nós estamos tratando de um auxílio de R$ 400 para 20 milhões de famílias que estão abaixo da linha da pobreza. Nós estamos falando de um parcelamento de débitos previdenciários, de 60 para 240 meses, de municípios que fizeram a sua reforma da Previdência. Estamos falando em um alargamento do espaço fiscal do governo para conseguir manter a sua máquina pública funcionando", declarou.


Na cena externa, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), anunciou na quarta-feira que vai começar a reduzir neste mês seu programa de estímulo à economia por meio da compra de títulos, com planos de encerrar as compras mensais no próximo ano. Por outro lado, sinalizou que não tem pressa para elevar os juros.


Com juros estáveis nos EUA e em trajetória de alta no Brasil, a perspectiva de abertura adicional dos diferenciais de juros favorece uma valorização da moeda brasileira, à medida que estimula o fluxo de dólares de investidores estrangeiros para o Brasil.


Fonte: g1

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