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Buffalo tem protesto antirracista após massacre; governadora pede controle de armas


Um dia depois de um atirador matar 10 pessoas em um supermercado em Buffalo, nos Estados Unidos, cerca de 200 pessoas foram às ruas da cidade para pressionar as autoridades a tomar providências contra os crimes racistas no país. Em paralelo, a governadora do Estado de Nova York, onde Buffalo é localizada, pediu que haja uma discussão sobre a “combinação letal” do discurso de ódio com a abundância de armas.


A governadora, Kathy Hochul, alertou que a arma utilizada no ataque foi comprada legalmente em Nova York, ao contrário da munição, e chamou atenção para a facilidade do acesso e transporte de armas entre estados. O atirador, Payton S. Gendron, tem apenas 18 anos. “Temos um acesso selvagem e sem restrições a armas. Precisamos de leis nacionais para lidar com isso”, disse à CNN.


Hochul acrescentou que a facilidade do acesso se une em uma “combinação letal” com o discurso de ódio e supremacista branco que circula nas redes sociais. Ela pediu que as empresas de tecnologia reavaliem suas plataformas para restringir esse tipo de conteúdo. “Essas ideias que resultam na radicalização de um jovem sentado em casa são profundamente assustadoras”, declarou. “E é algo que precisa ser discutido”.


O ataque foi transmitido online pela Twitch, plataforma de transmissão de videogames. A empresa afirmou que retirou o canal dele do ar dois minutos depois do início das cenas de violência na transmissão e em seguida o bloqueou.


Nas ruas, protestantes pediram medidas contra os crimes de ódios e membros da igreja realizaram uma vigília na frente do supermercado onde o ataque ocorreu. Hochul foi até o local e prometeu pressionar por mudanças para evitar novos massacres em Nova York. “Devemos fazer algo sobre isso, não vamos apenas chamar atenção”, declarou.


“Nossos irmãos e irmãs brancos também precisam estar de pé nas igrejas em todo este estado, em toda esta nação. Porque um ataque a um de nós é um ataque a todos nós”, acrescentou.


O prefeito de Buffalo, Byron Brown, também pediu que os controles sobre armas e discursos de ódio sejam mais rigorosos. “Temos que pressionar mais os legisladores em Washington que foram contra o controle sensato de armas para reformar a maneira como elas podem proliferar e cair em mãos erradas”, disse.


Investigadores afirmam que racismo motivou ataque


As autoridades acreditam que o crime deste sábado teve motivação racial. Entre as 13 vítimas, 11 eram negras e duas eram brancas, informou a polícia.


O supermercado fica em um bairro predominantemente negro, cerca de 5 km ao norte do centro de Buffalo, que tem 255 mil habitantes e é a segunda cidade mais populosa do Estado de Nova York. Além disso, autoridades policiais investigam a publicação de um manifesto racista na internet por parte do atirador, um jovem branco de 18 anos que é de fora da cidade.


O texto inclui o desejo de expulsar dos Estados Unidos todas as pessoas que não descendem de europeus. Gendron, o autor do ataque, teria se inspirado no atirador que matou 51 pessoas em duas mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia, em 2019.


A área ao redor é principalmente residencial. “Este foi um crime de ódio com motivação racial direta”, disse John Garcia, xerife do condado de Eerie, onde fica Buffalo. “Isso foi pura maldade”.


Histórico de ataques a tiros nos EUA


De acordo com a organização Gun Violence Archive, este foi o 159º ataque a tiros nos Estados Unidos em 2022, e o atentado com o maior número de vítimas este ano no país. No dia anterior ao ataque, a polícia de Dallas afirmou que estava investigando uma série de tiroteios em Koreatown como crimes de ódio.


Há um mês, um atirador feriu 10 pessoas dentro de um trem do metrô do Brooklyn, em Nova York, e aumentou as tensões na cidade. No ano passado, 10 pessoas ficaram mortas depois de um tiroteio em massa dentro de um supermercado no Colorado.


O massacre deste sábado causou ondas de choque em uma nação instável, dominada por tensões raciais, violência armada e uma série de crimes de ódio.


Segundo um dos investigadores informou à Associated Press, a polícia investiga se o atirador de Buffalo havia postado um manifesto online em que são descritas crenças racistas, anti-imigrantes e anti-semitas, incluindo o desejo de expulsar dos Estados Unidos todas as pessoas não descendentes de europeus. Ele teria se inspirado no atirador que matou 51 pessoas em duas mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia, em 2019.


Os Estados Unidos registrou outros massacres recentes com motivações racistas. Em 2019, mais de 20 pessoas foram mortas em um Walmart em El Paso, no qual o atirador expressou ódio aos latinos; no ano anterior, um ataque antissemita foi feito em uma sinagoga de Pittsburg em 2018 e deixou 11 mortos. Em 2015, nove paroquianos negros morreram assassinados em Charleston.

O ataque


Payton S. Gendron chegou fortemente armado e usando equipamento tático e colete à prova de balas em uma loja da rede de supermercado Tops Friendly Markets. Segundo as autoridades, ele saiu de seu carro e atirou em quatro pessoas no estacionamento, matando três delas. Em seguida, entrou na loja e continuou atirando.


Um segurança do supermercado, identificado como Aaron Salter Jr., disparou várias vezes contra Gendron para tentar impedir o ataque, mas os tiros atingiram o colete de balas. Gendron revidou e o matou. Salter, ex-policial aposentado de Buffalo, é uma das vítimas.


Payton Gendron, autor dos ataques em Buffalo, durante audiência no tribunal da cidade neste sábado, 14. Gendron tem 18 anos e realizou ataque com motivações racistas, acreditam investigadores Foto: Mark Mulville / AP


O comissário de polícia de Buffalo, Joseph Gramaglia, disse que a atitude do segurança salvou algumas vidas. A polícia chegou logo depois ao supermercado e rendeu Gendron. Ele chegou a colocar a arma no pescoço ameaçando se matar, mas foi convencido pelos policiais a se entregar.


Byron Brown, prefeito de Buffalo, disse que o atirador está sob custódia, sem direito à fiança. “O atirador não era desta comunidade, e viajou por horas até aqui para cometer este crime contra nosso povo.”


Fonte: AP, NYT, W.POST e REUTERS

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