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Com investigação cada vez mais digital, número de golpes chega ao menor patamar para fevereiro em quatro anos no RS

Nos 29 dias de fevereiro, o Rio Grande do Sul registrou 4.813 estelionatos consumados, ou 165 a cada 24 horas. O número representa 29% menos que o igual período de 2023. No mesmo mês, no ano passado, eram 242 casos diários. Em 2022, 261 ao dia. Um ano antes, 248. A redução consta nos indicadores de criminalidade apresentados nesta semana pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).


A queda observada em fevereiro já havia sido anotada no mês anterior. Em janeiro deste ano, o Estado já havia registrado queda de 29,6% nos estelionatos. Foram 5.289 ocorrências, ante 7.517 no igual período de 2023. A redução seria resultado de novas estratégias e ferramentas:


"A imensa maioria dos golpes atualmente ocorre em meio digital. Isso fez com que as investigações sobre estelionatos também necessitassem se atualizar. Hoje a polícia conta com ferramentas tecnológicas desenvolvidas especificamente para atender a este tipo de demanda", aponta a diretora do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegada Vanessa Pitrez.


A delegada afirma não poder revelar a composição desta nova estrutura de investigação para não "entregar o ouro para o bandido". Diz apenas que, a exemplo de toda a aplicação digital, tais ferramentas são pensadas como meios de oferecer respostas a problemas levantados em um cenário de trabalho.


Cancelamento da falsa compra predomina


O alerta chega no celular por SMS, WhatsApp ou por uma chamada de voz de um número desconhecido: "Sua compra de R$ 3.100,00 [valor hipotético] foi aprovada. Para cancelar ou obter mais detalhes, ligue 3333-3333 [número fictício]."


É a isca para que a vítima desperte o temor de que uma despesa tenha sido gerada indevidamente em seu nome. A ligação dá início à trapaça.


"Neste tipo de golpe, o estelionatário já espera que a pessoa fará de tudo para cancelar a compra que não fez. Então, ele age como no tele-atendimento de um banco ou operadora de crédito e passa a solicitar dados pessoais, como nome completo, CPF e numerais do cartão de crédito. Por vezes, a vítima é envolvida de tal forma que é induzida a compartilhar a própria senha", explica a diretora do Deic.


Cuidados


A delegada alerta para que jamais dados pessoais sejam repassados a terceiros e adverte para que pessoas não interajam em ambientes virtuais que não sejam canais oficiais de instituições e empresas. Como regra geral, comenta, a pessoa deve desconfiar de contatos sobre movimentações financeiras que jamais realizou.


Vanessa confirma que os golpes da falsa compra e operação de crédito representam umas das abordagens mais disseminadas na atualidade. Diz que são, muitas vezes, os golpes praticados por uma pessoa apenas, a qual eventualmente remete as mensagens de dentro do presídio onde cumpre pena.


"Também há forma mais elaborada, na qual a vítima é convencida de que um motoboy será enviado para recolher o cartão que estaria bloqueado por conta da operação que precisa ser cancelada. Neste caso, os criminosos vão até o endereço da vítima e tomam o cartão para fazer saques e compras online", descreve.


No caso anterior, informa a delegada, os criminosos usam dados ou pedem o pagamento de taxas de cancelamento via Pix, tomando o máximo de recursos da vítima. Quanto mais a vítima paga, mais acaba envolvida na expectativa de resolver a situação, que julga ser real. É comum, indica a diretora do Deic, que a pessoa perceba que foi enganada somente quando esgotou os recursos disponíveis e o golpista bloqueou a comunicação para seu contato.


Pandemia foi marco para revisão de estratégias


Conforme a delegada, as autoridades gaúchas de segurança pública verificaram uma migração da criminalidade do presencial para o digital. Este fenômeno teria ocorrido no período das restrições de circulação determinadas para controle da pandemia de Covid-19.


"Com menos pessoas e dinheiro circulando, reduziram assaltos a pedestres e roubos de veículos. Por outro lado, com a consolidação dos hábitos de consumo e compras pela via digital, aumentaram os estelionatos", relata Vanessa Pitrez.


De fato, os indicadores demonstram tal modificação de cenário. Em 2018, a SSP registrou 23,8 mil estelionatos, 16 mil roubos de veículo e 72,7 assaltos. Em 2021, no auge da pandemia, eram 92 mil estelionatos, 5 mil roubos de veículo e 40 mil assaltos registrados.


Com esta percepção, segundo a diretora do Deic, a polícia aprimorou ferramentas para rastreio de comunicações e de operações financeiras. Treinou investigadores para uso das novas tecnologias de investigação. A delegada também destaca a qualificação na articulação com Polícia Federal e Receita Federal.


Golpistas presenciais não desapareceram


Embora os estelionatos pelo meio digital sejam prevalentes na atualidade, golpes que são aplicados presencialmente resistem. É o caso do golpe do bilhete de loteria premiado, para o qual são necessários pelo menos dois vigaristas, um para ser o dono do bilhete, e outro para ser a pessoa prestativa que se dispõe a ajudar em troca de parte do prêmio, induzindo a vítima a crer que também será gratificada com valor substancial.


Esta expectativa é manejada para que a vítima antecipe valores aos golpistas. Na semana passada, a polícia desarticulou uma destas quadrilhas, com prisões em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, tendo criminosos gaúchos entre os presos. A investigação que culminou com as prisões, coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, descreve em detalhes como ocorria a abordagem dos trapaceiros.


Fonte: GZH

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