top of page
Buscar

Dois meses depois, veja como estão cidades atingidas por enchentes no Vale do Taquari


Imagem: Diego Vara/ Reuters.

A passagem de um ciclone extratropical pelo Vale do Taquari no início de setembro completou dois meses. Nas cidades atingidas pela maior cheia dos últimos 40 anos, os dias seguintes à tragédia foram de resiliência e reconstrução. O desastre causou 52 mortes – seis pessoas ainda seguem desaparecidas –, destruiu cidades e deixou prejuízos milionários.


A RBS TV voltou a quatro das cidades mais atingidas pelo fenômeno natural para conferir a situação delas dois meses depois. Veja abaixo como estão Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio, Roca Sales e Muçum.


Cruzeiro do Sul


O município de pouco mais de 12 mil habitantes, que teve cinco mortos durante a passagem do ciclone extratropical, sofreu prejuízos de mais de R$ 160 milhões. Muitos moradores ainda dependem de aluguel social.


Uma das vítimas é Angelomar da Silva Marques, que morreu aos 73 anos. No lugar onde morava, não sobrou nada além de vigas. A casa ficava a cerca de 20 metros do Rio Taquari e ficou submersa durante a enchente. Uma das vizinhas de Angelomar, Janete voltou ao local pela primeira vez depois de dois meses.


"Aqui era toda a minha vida. Desde 2000 eu morava aqui. Tudo que eu tinha estava aqui dentro. Saí, ergui algumas coisas, chaveei a porta, desliguei a água e a luz, saí com a roupa do corpo e depois só ouvi os comentários de que não tinha sobrado mais nada. Eu nem quis ver, não queria nem que me falassem, até hoje não consigo...", diz, emocionada.


Atualmente, Janete faz parte de uma das 41 famílias que recebem o aluguel solidário, uma ajuda concedida pela prefeitura da cidade. Ela mora na mesma rua, mas longe da antiga residência.


Na cidade, o momento mais crítico em que famílias precisavam de doação de alimentos e mantimentos básicos já foi superada. Agora, a necessidade é de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção. As entregas podem ser feitas na Sociedade Greu (rua Santa Maria, 96).


Arroio do Meio


A prefeitura de Arroio do Meio estima que os estragos trouxeram um prejuízo de mais de R$ 150 milhões. Na cidade, 258 casas foram atingidas.


A professora de yoga Juliana Brod procura o dono de uma mala de brinquedos que foi encontrada na enchente por ela e um grupo de voluntários que ajudava na limpeza. O objeto está cheio de carrinhos dentro.


"Existem muitas perdas com a enchente, então isso seria uma alegria, né, para quem reencontrasse. Então, nós queríamos muito isso, que aparecesse o dono e pudesse reaver essa relíquia", afirmou a mulher.


Roca Sales


Roca Sales foi uma das cidades mais atingidas pelas enchentes de setembro. Foram registradas 13 mortes, atrás somente de Muçum, onde 16 pessoas perderam a vida durante a passagem do ciclone.


A prefeitura ainda trabalha na reconstrução do município. De acordo com a prefeitura, os prejuízos estão estimados em quase R$ 500 milhões.


Conforme levantamento das autoridades locais, 1,2 mil casas foram afetadas pelos estragos. Isso corresponde a 40% das residências da cidade.


Ainda há bastante lixo espalhado nas ruas de Roca Sales. Um balanço preliminar da prefeitura apontou 50 mil toneladas de resíduos.


"A cidade foi basicamente devastada, então a gente tem um volume de lixo muito grande. Nós tivemos no início os voluntários, que nos ajudaram demais. Agora nós estamos com a contratação de caminhões, pra levar esse material embora, retroescavadeira e também uma equipe braçal para nos auxiliar", afirma o chefe de engenharia de Roca Sales, Jonas Haefliger.


Um ponto positivo foi a reabertura do Hospital Roque Gonzales. A reinauguração oficial ocorreu na semana passada. Foram investidos R$ 550 mil reais, entre recursos do governo do RS, prefeituras e doações.


"Voluntários, empresas, todos parceiros que querem doar, podem doar. Temos o PIX, material de construção, material de limpeza, tudo que quiserem doar é bem vindo", diz a prefeitura.


Muçum


Muçum é o município que mais teve vítimas confirmadas decorrentes das enchentes de setembro no Vale do Taquari. Do total de 52 mortes, 16 foram na cidade.


De acordo com a Polícia Civil, das seis pessoas que seguem desaparecidas após dois meses da passagem do ciclone, três são moradoras de Muçum.


"Quinta-feira passada foi encontrado um corpo aqui em Muçum. Tudo indica que é meu irmão, só estamos esperando o laudo do DNA. A agonia é muito forte, angústia muito grande. Agora, se Deus quiser, vai aliviar um pouco e pelo menos vamos poder dar um enterro digno pra ele", relatou o irmão de um dos desaparecidos.


O Corpo de Bombeiros informou que as buscas às pessoas que ainda não foram encontradas seguem.


Fonte: g1

0 comentário

Comments


labelladonnasaoleopoldo.png
Caixinha de perguntas Start.png
bottom of page