Empresa de segurança envolvida na morte de João Alberto no Carrefour assina acordo de R$ 1,7 milhão


Seguranças acusados da morte de João Alberto Freitas eram funcionários da Vector, que prestava serviço ao Carrefour Reprodução / Arquivo Pessoal

PORTO ALEGRE: a Vector Segurança Patrimonial Ltda assinou um acordo com a Justiça gaúcha que prevê medidas compensatórias a famílias negras pelos próximos seis anos. As ações previstas correspondem ao valor de R$ 1,7 milhão.

Na empresa trabalhavam os dois seguranças que espancaram e mataram João Alberto Silveira Freitas, aos 40 anos, na unidade do Carrefour do Passo d'Areia, em Porto Alegre, em novembro de 2020.


A Vector Segurança se comprometeu em destinar 50% do valor do acordo para bolsas de permanência para universitários negros do Prouni; 30% para bolsas de um turno em creches para crianças de até 5 anos, de famílias negras; e 15% para compra de cestas básicas, também para famílias negras moradoras do bairro Passo D´Areia.


A companhia ainda fará campanhas de conscientização sobre práticas antirracistas para disseminar essa cultura, inclusive, em outras empresas de segurança. Outra medida será a reformulação das estratégias internas e a criação de cartilhas para o treinamento dos funcionários com foco em orientação sobre atos de discriminação e racismo estrutural, além do compromisso de aumentar o número de empregados negros.


A Vector também irá criar uma ouvidoria para receber denúncias, além de um comitê que será constituído com integrantes dos autores das ações para acompanhamento e validação do cumprimento do termo.


O acordo foi finalizado pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Porto Alegre (Cejusc-POA) faltando 15 dias para completar um ano da morte de Beto Freitas. Todos os envolvidos em ações civis públicas em que as entidades de defesa dos direitos humanos e a Defensoria Pública pediam indenização pela morte dele. O entendimento também foi firmado com a Educafro – Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Associação Francisco Assis: Educação, Cidadania, Inclusão e Direitos Humanos) e Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo.


A primeira sessão foi realizada ainda em 17 de dezembro de 2020, com a coordenadora do Cejusc, juíza de Direito Dulce Ana Gomes Oppitz e a colaboração da magistrada Karen Luise Vilanova Batista de Souza. As sessões de mediação foram conduzidas pelas mediadoras Manuela Mallmann, Izabel Sperb e Eliane Hermann. A elaboração do acordo contou também com o apoio do Defensor Público Rafael Pedro Magagnin, para que as ações propostas sirvam de parâmetros inclusivos.


Fonte: GZH

0 comentário