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A beleza que a gente não vê sozinho - Por Nana Vier

há 3 horas
2 min de leitura

Beleza é tudo aquilo que tu não dás conta de ver sozinho.


Há momentos em que estamos diante de alguma coisa tão bonita que a primeira vontade não é fotografar, guardar ou contar depois. É ter alguém ao nosso lado. Alguém que olhe na mesma direção e compreenda, sem grandes explicações, aquilo que estamos sentindo. Porque existem belezas que parecem grandes demais para caber em uma pessoa só.


Tu já estiveste diante de uma paisagem maravilhosa e pensaste imediatamente em alguém que deveria estar ali contigo? Não porque a paisagem fosse menos bonita na solidão, mas porque dividir aquele instante a tornaria ainda mais especial. É como se nossos olhos enxergassem por dois, mesmo quando estamos sozinhos.


Isso acontece nas coisas mais simples. Tu experimentas uma comida deliciosa e pensas: fulano adoraria isso! Abres uma garrafa de vinho e, antes mesmo do primeiro gole, já sabes com quem gostarias de compartilhá-la. Assistes a um filme maravilhoso e mal aparecem os créditos, tua vontade é ligar para alguém e dizer que precisa assistir também.


Há uma generosidade bonita nesse impulso de compartilhar. Não queremos apenas contar o que vivemos. Queremos que as pessoas que amamos sintam um pouco da alegria que sentimos.


Penso nisso quando vejo um pôr do sol daqueles que parecem pintados à mão. Quando sinto o cheiro de terra molhada depois de uma chuva de verão. Quando experimento uma receita nova, ela dá certo e minha primeira reação é imaginar quem gostaria de sentar à mesa para prová-la. A satisfação de cozinhar alguma coisa gostosa fica ainda maior quando podemos observar a expressão de quem experimenta a primeira garfada.


E não são apenas os grandes acontecimentos que despertam essa vontade. Às vezes, é uma música antiga tocando inesperadamente, uma flor que desabrochou no jardim, uma notícia boa ou uma gargalhada que merecia ter sido compartilhada.


Com o tempo, vamos percebendo que as melhores experiências da vida não são necessariamente as mais caras, as mais raras ou as mais extraordinárias. São aquelas que encontram lugar na memória porque tiveram companhia, porque viraram conversa, porque alguém estava ali para dizer: que coisa linda!


Também há uma forma muito particular de amor em lembrar de alguém quando essa pessoa não está presente. É quando o outro já faz parte do nosso modo de experimentar o mundo. Está no sabor que reconhecemos, na música que ouvimos, nos lugares que visitamos e nas pequenas alegrias que gostaríamos de levar para casa.


No fundo, compartilhar é uma maneira de prolongar a felicidade. Uma alegria dividida não fica pela metade. Ela cresce, ganha outra história e passa a pertencer a mais de uma memória.


A vida é cheia de coisas bonitas. Mas existe uma beleza ainda maior em ter alguém que nos venha imediatamente ao pensamento quando encontramos uma delas.


Uma das maiores riquezas da vida é ter com quem dividir aquilo que nossos olhos, sozinhos, não conseguiriam alcançar.


Nana Vier, é professora e escritora

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