A geração lacração e o futuro da política brasileira - Por Bado Jacoby

As eleições de 2026 revelaram um fenômeno que merece atenção. Nas disputas para as assembleias legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado, jovens políticos ganharam protagonismo apostando na força das redes sociais, em discursos agressivos, provocações e frases de efeito. É a geração lacração, que transformou a comunicação digital em uma poderosa ferramenta eleitoral.
Esses novos protagonistas entenderam como poucos a dinâmica das redes. Sabem provocar, viralizar e conquistar seguidores. Para parte do eleitorado, tornam-se porta-vozes de indignações e pensamentos que muitos gostariam de expressar. O problema começa quando a repercussão parece valer mais do que as ideias e os projetos apresentados.
O Brasil enfrenta desafios que exigem muito mais do que vídeos curtos e ataques a adversários. Juros elevados, desemprego, custo de vida, desigualdade social, educação e meio ambiente precisam estar no centro das discussões. Mas quantos desses fenômenos eleitorais apresentam propostas consistentes para enfrentar os problemas do país?
A juventude não é o problema, tampouco a utilização das redes sociais. Renovar a política é importante. A questão é saber se esses novos representantes estão preparados para transformar popularidade em trabalho parlamentar, construir soluções e assumir responsabilidades que vão muito além das curtidas.
Deputados e senadores não foram eleitos apenas para produzir conteúdos virais. Seus votos ajudarão a definir leis, orçamentos e políticas públicas que afetam diretamente a vida de milhões de brasileiros. O Congresso não pode ser confundido com um palco de influenciadores, onde o conflito rende audiência e a construção de consensos perde espaço.
O balanço eleitoral deixa uma reflexão necessária. Depois de tanta lacração, quais são os projetos para o Brasil?
Se a política ficar refém de discursos fáceis, ataques e disputas por popularidade, o país corre o risco de trocar a discussão de soluções pelo espetáculo permanente. O Brasil precisa de representantes capazes de pensar o futuro da nação, não apenas a próxima publicação nas redes sociais.
No fim, a preocupação não é a idade dos eleitos, mas o risco de termos uma política conduzida por quem confunde popularidade com preparo e mandato com espetáculo.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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