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A grande reconstrução que São Leopoldo precisa está no subterrâneo e não pode mais ser adiada - Por Bado Jacoby

A grande reconstrução de São Leopoldo não será aquela que rende fotos bonitas, placas inaugurais ou capital político imediato. Ela precisará acontecer onde os olhos não veem, ela está no subterrâneo da cidade, nas galerias pluviais esquecidas, nas casas de bombas sobrecarregadas e em uma infraestrutura urbana que, há décadas, não acompanha o crescimento urbano nem os extremos climáticos que passaram a fazer parte da nossa realidade.


O temporal desta terça-feira de Carnaval(17), foi mais um alerta contundente. Mesmo que o volume de chuva tenha sido elevado, os alagamentos em diversos pontos do município evidenciaram uma fragilidade estrutural que vai muito além de um evento isolado. Ruas importantes voltaram a ficar submersas, o trânsito entrou em colapso e a mobilidade urbana foi comprometida. Mais uma vez, a cidade parou.


Esse cenário não pode ser analisado de forma desconectada das enchentes históricas de maio de 2024, que devastaram São Leopoldo e grande parte do Rio Grande do Sul. Aquela tragédia expôs, de forma dramática, as limitações de um sistema de drenagem e proteção que já operava no limite e se agravou ainda mais. Quase dois anos depois, o que se vê é que os efeitos daquele colapso ainda estão longe de serem plenamente superados.


A cada nova chuva forte, fica evidente que o problema não está apenas na superfície. O verdadeiro colapso é invisível, ele está na infraestrutura subterrânea insuficiente, envelhecida e incapaz de dar vazão ao volume de água cada vez mais intenso. Casas de bombas dependentes de energia elétrica, redes de drenagem subdimensionadas e a ausência de reservatórios e sistemas modernos de retenção são parte de uma equação que transforma temporais em crises urbanas.


O mais preocupante é que eventos extremos estão deixando de ser exceção para se tornarem tendência. Especialistas em clima vêm alertando que o Sul do Brasil deverá enfrentar períodos mais frequentes de chuvas intensas, intercalados com ondas de calor e estiagens. Ou seja, o que antes era considerado extraordinário passa a ser parte de um novo padrão climático.


Diante disso, problemas historicamente considerados prioritários como saúde básica, educação e segurança, passam a disputar espaço com uma ameaça ainda mais complexa e imprevisível: a própria capacidade da cidade de funcionar diante dessas situações. Não há sistema de saúde eficiente em uma cidade alagada. Não há educação regular quando escolas precisam fechar por causa de enchentes. Não há segurança plena quando a infraestrutura urbana colapsa.


São Leopoldo enfrenta hoje, possivelmente, o maior desafio urbano de sua história recente.


A resposta a esse desafio não virá com medidas pontuais ou paliativas. Não será resolvida apenas com limpeza de bueiros, substituição de bombas ou intervenções emergenciais. O que está em jogo exige um projeto amplo, técnico e estratégico de reconstrução e adaptação urbana. Um plano que envolva diagnóstico completo da rede de drenagem, modernização das casas de bombas, ampliação da capacidade de escoamento, criação de áreas de retenção e investimentos estruturais de longo prazo.


Isso exigirá recursos vultosos, articulação política e capacidade técnica. Será necessário buscar financiamentos estaduais, federais e internacionais. Bancos de desenvolvimento e fundos climáticos existem justamente para apoiar cidades que precisam se adaptar a uma nova realidade ambiental. Mas, acima de tudo, será necessário coragem política.


Porque investir no subterrâneo não rende aplausos imediatos. Não é visível. Não é simbólico. Não gera o mesmo impacto visual que uma obra em uma avenida central. No entanto, é exatamente esse tipo de investimento que determinará se São Leopoldo será uma cidade resiliente ou uma cidade permanentemente vulnerável.


A reconstrução verdadeira não será aquela que aparece nas fotos. Será aquela que impede que novas fotos de destruição precisem ser feitas.


O tempo de adiar decisões terminou. A cidade precisa olhar para baixo e para aquilo que não aparece e começar ali nesse "invisível", a sua verdadeira reconstrução.


Bado Jacoby, é repórter e apresentador da Start Comunicação

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