top of page

A Mãe que nasceu de um filho - Por Daniela Bitencourt Andara

Ser mãe sempre foi um dos desejos mais intensos que tive. Era uma realidade prevista e anunciada em silêncio, desses que a gente carrega sozinha e espera, mesmo com dúvidas se será uma realidade.


Quem me conhece sabe: não era um plano, era um chamado. Eu já era mãe antes de ter o André nos meus braços. Manifestava tal amor e cuidado com os outros, (alunos, afilhados, primos, filhos de amigos) na forma de escuta, de carinho e amor que sempre de mim, transbordava.


Mas entre o sonho e o colo, houve uma longa travessia.


Fui mãe "Tentante". Fui espera. Fui fé, nos dias em que o corpo doía e cansava. Foram anos de tentativas, de tratamentos, de dúvidas, silêncios difíceis de explicar. Porque a dor de querer ser mãe e não conseguir dói, alguns dias dilacera e faz morada na alma, onde a gente aprende a sorrir por fora enquanto por dentro pede, em sussurro, por um milagre.


E o meu milagre veio.


Digo milagre porque ele driblou os laudos médicos de infertilidade. Veio como promessa cumprida no tempo certo. Meu filho não chegou, apenas como vida ele chegou como resposta as minhas orações. Chegou como o presente mais lindo que o universo poderia me confiar.


E, junto com o nascimento dele, nasceu uma nova versão de mim.


Mais sagrada.

Mais grata. Mais atenta aos detalhes que antes passavam despercebidos.

Mais compreensiva com o tempo dele, com o outro, comigo mesma.

Mais leoa dessas que protegem com o olhar, com o instinto, com a alma inteira.

Porque ser mãe me atravessou de um jeito que nenhuma outra experiência seria capaz.


E foi com esse título, que eu entendi a minha mãe.


Entendi o amor que não fazia alarde, mas nunca faltava. Entendi as preocupações silenciosas, os medos guardados, as noites mal dormidas que ela nunca contou. Entendi o quanto ela também foi leoa por mim e pelo meu irmão, mesmo quando não percebíamos.


Ser mãe me devolveu a minha mãe com outros olhos… mais compreensivos, generosos, mais maduros, mais gratos.


E com a chegada do Dia dedicado as mães, lembrei de quanto eu criticava essas datas. Sempre achei tudo muito comercial, forçado, ensaiado demais para sentimentos que deveriam ser espontâneos. Mas depois que me tornei mãe… elas ganharam outro aroma.


Um aroma de abraço quentinho do meu filho, que chega sem eu pedir e sem pedir licença.

Aroma de “cheiro de filho” (que, na minha opinião, é o melhor aroma do mundo!).

Aroma de casa viva, de rotina bagunçada e cheia de sentido.

Aroma de mão pequenina segurando a minha com confiança absoluta.

Aroma de amor que não se explica… só se sente.


E hoje, se essa data têm valor, é porque carregam presença. Carregam gratidão. Carregam muito, muito amor.


Para as Mamães que hoje são "Tentantes" como eu fui, desejo força. Que não desistam e que creiam nos milagres extraordinários do Universo.


E, para quem já não pode mais abraçar a sua mãe…


Que esse dia não seja apenas de saudade, mas também de encontro.

Porque mãe, quando é amor de verdade, não vai embora, ela se transforma: no jeito que você cuida, no jeito que você fala, no jeito que você ama.

Mora nos teus gestos mais bonitos, mesmo quando você nem percebe.


Talvez hoje doa um pouco mais.

Mas também é prova de que foi imenso e lindo.


E amor imenso… nunca acaba.


Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo

Comentários


WhatsApp Image 2026-04-06 at 11.10.24
WhatsApp Image 2026-04-03 at 11.59.58
1230x1020px-insti
BANNERS START NEWS 1230X1020
Banner_Seguro-Viagem_1230x1020px-(2)
Banner_Seguro-de-vida_1230x1020px-(2)
IMG_4264
Manuela Start - 1
BannerSite_1230-x-1020
Técnico em Desenvolvimento de sistemas (1)
WhatsApp Image 2025-04-10 at 18.55.37.jpeg
bottom of page