A posse do Compotma e a defesa da convivência em uma sociedade plural e ecumênica - Por Bado Jacoby
- Start Comunicação

- 1 de jun.
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A cerimônia de posse da nova diretoria do Conselho Municipal dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Compotma), realizada na Câmara de Vereadores de São Leopoldo na última sexta-feira, foi muito mais do que um ato protocolar. O evento representou uma demonstração pública de que ainda é possível construir uma sociedade baseada no respeito, no diálogo e na convivência entre diferentes crenças, culturas e formas de compreender o mundo.
Em tempos marcados pelo crescimento da intolerância, pela radicalização de discursos e por manifestações que muitas vezes flertam com o fanatismo religioso, a diversidade de lideranças presentes na solenidade enviou uma mensagem importante para a comunidade leopoldense: o respeito à fé alheia não é uma concessão, mas um princípio fundamental da democracia.
São Leopoldo possui uma longa trajetória de diversidade cultural e religiosa. O município abriga dezenas de templos, centros e casas ligadas às religiões de matriz africana, que desempenham papel relevante na preservação de tradições, na promoção da cultura e no fortalecimento dos laços comunitários. O próprio Compotma foi criado para representar essas comunidades e contribuir na formulação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade e ao combate à discriminação.
A Constituição Federal assegura a liberdade religiosa e estabelece que o Estado brasileiro é laico. Isso significa que nenhuma religião pode ser privilegiada ou perseguida pelo poder público. Garantir esse direito é proteger tanto quem pratica uma religião quanto quem não segue nenhuma. Em uma democracia, a diversidade de crenças não deve ser vista como um problema, mas como uma riqueza social.
Nesse contexto, a manifestação feita por André Lemke, que é seguidor de religião de matriz africana, e que representou o prefeito Heliomar Franco na solenidade, teve significado especial. Ao reafirmar que a administração municipal não compactuará com qualquer forma de intolerância religiosa, o governo sinalizou um compromisso institucional com a defesa dos direitos fundamentais e da convivência respeitosa entre diferentes manifestações religiosas e espirituais.
Mais importante do que os discursos, porém, será a prática cotidiana. O verdadeiro desafio não está apenas em promover eventos ou participar de solenidades, mas em transformar o respeito à diversidade em comportamento permanente das instituições públicas e da sociedade. O combate à intolerância religiosa exige vigilância constante, educação, diálogo e disposição para enfrentar preconceitos ainda presentes em muitos ambientes.
A posse da nova gestão do Compotma também ocorre em um momento em que políticas públicas voltadas aos povos e comunidades tradicionais de matriz africana vêm ganhando espaço no cenário nacional, reforçando o reconhecimento histórico e cultural desses grupos e a necessidade de proteção de seus direitos.
Que a cerimônia realizada na Câmara de Vereadores não seja lembrada apenas como mais um ato administrativo. Que ela represente um compromisso renovado com uma cidade onde as diferenças possam coexistir sem medo, preconceito ou discriminação.
Porque a fé, independentemente de qual seja, encontra sua maior expressão no respeito ao próximo. Quando esse respeito desaparece, abre-se espaço para a intolerância. E onde há intolerância, já não existe espiritualidade plena, mas apenas a tentativa de impor uma visão única do mundo. Uma sociedade verdadeiramente democrática se constrói justamente no caminho oposto e no reconhecimento de que diferentes crenças podem conviver, dialogar e contribuir para o bem comum.
Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação

























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