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Aposentar sem envelhecer e a Saga do Ácido Hialurônico - Por Daniela Bitencourt Andara

Me dei conta de uma coisa intrigante: estou mais perto da aposentadoria do que da adolescência. Mas, curiosamente, nunca saí dela…. Não adolescente de identidade, mas de ousadia. Aquela coragem meio inconsequente de ainda acreditar que dá tempo de tudo. E, com certeza, dá.


A aposentadoria deveria vir com um aviso: “Parabéns, você trabalhou bastante. Agora pode aproveitar.” Só que ninguém ensina como fazer essa transição sem pensar que está sendo descartado. Talvez o segredo seja esse: não parar de começar. Aposentamos do crachá, não da curiosidade. Não da vontade de aprender, de mudar o corte de cabelo, de testar um creme novo ou até de se apaixonar por uma rotina mais tranquila.


E, por falar em creme, a rotina de skincare virou meu novo projeto de vida. Nem tanto por vaidade, mas por resistência histórica. Cada sérum que aplico é um pequeno protesto contra o tempo (que está passando rápido demais). Uma revolução silenciosa em forma de ácido hialurônico. Não queremos parar o relógio, só queremos que ele seja gentil. Que conte a nossa história sem exagerar nos "detalhes".


Quando meu pai fez 50 anos, comecei a pensar na finitude. Lembro de ter olhado pra ele e pensado: “Nossa, 50… ele está ficando Velhinho.” Velhinho no diminutivo, mas com V maiúsculo, imaginando o mesmo, usando chinelo ortopédico e reclamando do preço do tomate. Hoje, com meus 50 batendo na porta (ou já sentado no sofá da sala), fico com a impressão sincera de que estou saindo da pré-adolescência. Só que com boletos, meus cremes anti-idade e uma leve dor na lombar ao levantar rápido demais.


E falando em tempo, sinto um prazer quase indecente em olhar fotos antigas. Não as nossas, as dos parentes (avós, bisavós, tios...). Fotos desses, com 30 anos, nos anos 70 e 80, aparentavam ter vivido duas guerras, casado cinco filhos e virado avós de 7 netos. Meu avô com 50 anos parecia um vovô de 80. Olho e penso, com um certo alívio mal disfarçado: “Ufa, ainda bem que estamos mais conservados!” É uma maldade? Talvez. Mas é também um consolo. Um lembrete de que envelhecer é um conceito relativo e que, modéstia à parte, estamos envelhecendo melhor. Ou pelo menos mais hidratados.


Porque hoje ninguém quer “ficar velho”. Queremos ficar experientes. É uma troca semântica que ajuda muito na autoestima. Experiente soa charmoso, enquanto velho parece sentença. Experiência tem história. Velhice tem prazo de validade. E eu, sinceramente, ainda estou na fase de testar os sabores da vida: alguns sabores me dão uma boa digestão, outros me dão azia, mas sigo degustando.


No fim, acredito que envelhecer virou um jogo de perspectiva. Tem dias em que a gente se sente com 20 (geralmente quando estou rindo com amigos). Em outros, com 90 (principalmente quando não tenho vontade de sair à noite para poder dormir cedo). Mas, seguimos nesse meio-termo elegante entre a memória e o espelho.


E quer saber? A juventude não está somente na pele lisa, mas na capacidade de olhar pra própria idade e pensar: “Eu achei que demoraria e cá estou na meia idade e me sentindo viva, jovem e feliz.”


Porque, no fundo, como diria a grande “poetisa” Sandy, com toda a ironia e verdade: "Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem."


Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo



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