Ataques do Irã atingem maior instalação de gás do mundo e elevam temores de crise energética
- Andressa Brunner Michels - Jornalista - MTB 19281/RS

- há 3 minutos
- 2 min de leitura

As ações de retaliação do Irã provocaram “danos consideráveis” à maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, localizada no Catar, gerando preocupação com uma possível crise energética global e motivando um alerta severo do presidente americano Donald Trump.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, e agora evoluiu para ataques diretos a pontos de produção de hidrocarbonetos, além de infraestrutura de armazenamento e transporte.
A escalada impactou os preços do petróleo: o barril de Brent do Mar do Norte chegou a subir quase 10%, sendo negociado a US$ 118,03, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) operava a US$ 98,81, em alta de 2,59%.
Ataques estratégicos
Na quarta-feira (18), Israel atacou o campo de gás South Pars–North Dome, compartilhado por Irã e Catar, a maior reserva de gás conhecida no mundo, responsável por cerca de 70% do consumo interno iraniano. Em retaliação, o Irã atacou a instalação de Ras Laffan, no Catar, maior complexo industrial e porto de exportação de GNL, repetindo o ataque na quinta-feira. A empresa estatal QatarEnergy relatou danos consideráveis, mas os incêndios foram controlados e não houve vítimas.
O Catar, segundo maior exportador mundial de GNL, lamentou que os ataques tenham “ultrapassado todas as linhas vermelhas”, atingindo civis e instalações vitais.
Além do Catar, o Irã também atingiu a refinaria Samref, em Yanbu, na Arábia Saudita, que processa mais de 400 mil barris de petróleo por dia e funciona como alternativa ao Estreito de Ormuz, atualmente quase bloqueado. No Kuwait, duas refinarias estatais — Mina Abdullah e Mina Al Ahmadi — também foram atingidas, provocando incêndios controlados sem vítimas.
Alertas e respostas internacionais
Em mensagens na plataforma Truth Social, Donald Trump afirmou que Israel havia atacado a parte iraniana do campo South Pars, mas disse que Washington “não sabia de nada” sobre a operação. O presidente americano advertiu que, se o Irã atacar o Catar, os EUA poderiam destruir o campo de gás, “com ou sem a ajuda de Israel”.
A Arábia Saudita também declarou que se reserva o direito de responder militarmente ao Irã, que regularmente lança drones e mísseis contra seu território.
Estreito de Ormuz e logística global
O bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás mundial, segue no centro da crise. Deputados iranianos discutem cobrança de taxas para navios que utilizem a rota. A Organização Marítima Internacional (OMI) se reúne em caráter de urgência em Londres para garantir a criação de um corredor seguro, pois cerca de 20.000 marinheiros aguardam a bordo de 3.200 navios no Golfo.
Impactos econômicos e reação internacional
O forte aumento dos preços da energia preocupa o Banco Central Europeu (BCE) e deverá ser tema da reunião desta quinta-feira, assim como ocorreu no Federal Reserve nos EUA. O presidente francês Emmanuel Macron denunciou a escalada “imprudente” e pediu negociações diretas entre americanos e iranianos.
Em quase três semanas, o conflito deixou mais de 2.200 mortos, principalmente no Irã e no Líbano, onde o movimento pró-Irã Hezbollah enfrenta as forças israelenses.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: Correio do Povo



























Comentários