Barão de Mauá, o primeiro capitalista do Brasil e a Escravidão


O Banqueiro Irineu Evangelista de Souza, Barão e Visconde com Grandeza de Mauá, nos anos de 1846 a 1880, possuía o maior império empresarial já existente no Brasil, que incluía ferrovias, companhias de navegação, empresas em seis países que ele dirigia a partir do Rio de Janeiro. Nunca empregou, em nenhuma empresa dele, em nenhum momento, o trabalho escravo. Sempre empregou trabalhadores assalariados. E isso tem uma diferença histórica. É o trabalho assalariado que marca a passagem do antigo regime de escravidão para um mundo baseado no trabalho livre e no capitalismo.


A idéia abolicionista em Mauá acompanhava as tendências inglesas da casa comercial que dirigia. A sua fórmula de libertação dos escravos não era em nada romântica ou sentimental, mas prática, procurando resolver o problema pelo lado racional e econômico, dando antes da emancipação, um substituto, necessário aos interesses vitais do país, e ao braço escravizado:

"Sou ambiciono em ver desaparecer o elemento escravo da organização social do meu país. Quanto ao trabalho (escravo), ressoam ainda aos meus ouvidos (porque sou velho) as palavras de um grande homem de estado que o Brasil possuiu: o finado Bernardo Pereira de Vasconcelos, pronunciadas em pleno Senado, vão contados cerca de 40 anos: "A civilização nos vem da África!"Essas palavras levantaram sussurro na época em que foram proferidas; no entanto, o grande político e profundo pensador soltara uma proposição figurada que exprimia a verdade, pois ele apenas queria dizer que a única fonte ou mercado de trabalho, que o Brasil tinha até então conhecido, era o braço africano, que desses braços, rasgando o seio da terra, vinha a produção que, convertida em riqueza, determinava o progresso e a civilização de nossa pátria." Escreveu Mauá em sua auto Biografia.


Mauá acreditava que através das Leis Abolicionistas, da Instituição do Ensino Agrícola a população de escravos alforriados, a Imigração de trabalhadores rurais da Europa, e o Fomento de Novos Mercados de Trabalho voltados a Industrialização, o Brasil iria superar sua dependência do Trabalho Escravo.


Seu posicionamento contrário a Escravidão resultou e inúmeras sabotagens contra seus negócios e o criminoso Incêndio ao seu estaleiro em 1857.


Fonte: Autobiografia, Visconde de Maua. Biblioteca do Senado Federal

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