Barco-Escola Peixe Dourado voltará a unir leopoldenses e Rio dos Sinos
- Start Comunicação

- 25 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Por 12 anos, o barco Martim Pescador, gerido pelo instituto de mesmo nome e que era de propriedade privada, realizou diversas viagens pelo Rio dos Sinos, na região de São Leopoldo. Essas viagens resgatavam a história do desenvolvimento econômico da cidade, além de promoverem a educação ambiental e incentivarem o turismo. No entanto, desde 2015, o Martim Pescador deixou de navegar devido a dívidas trabalhistas da instituição.
Agora, após nove anos, a região está prestes a receber uma nova embarcação para levar a população, em especial os estudantes, a navegarem novamente pelo rio. O Barco-Escola Peixe Dourado, da Secretaria de Meio Ambiente (Semmam) de São Leopoldo, deve chegar à cidade nos próximos dias após anos de luta de defensores ambientais e do Poder Público. “O Barco-Escola representa um passo importante para reaproximarmos a população ao convívio com o seu rio. Já era um propósito desde a sua concepção e se acentuou com o evento climático extremo das cheias que o município vivenciou e deve continuar vivenciando suas consequências por muito tempo”, afirma a titular da pasta, Jussara Lanfermann.
Com a ordem de início da construção sendo assinada em uma solenidade na São Leopoldo 2023, a Semmam acompanhou todas as etapas do processo para que fosse possível chegar ao resultado final. “O acompanhamento foi realizado por meio de reuniões semanais, relatórios diários do cronograma de execução e visitas sistemáticas ao estaleiro quando do início de atividades críticas, como o corte de chapas, montagens estruturais, soldagem, vistoria de motores, alinhamento do sistema de transmissão, entre outras etapas”, explica a secretária.
Embarcação deve chegar na cidade nos próximos dias
Prestes a completar o Bicentenário da Imigração alemã no Brasil, celebrado nesta quinta-feira (25), a ideia original era que o Peixe Dourado chegasse pelas águas do Rio dos Sinos exatamente no ápice das celebrações – fazendo uma alusão a 25 de julho de 1824, quando os primeiros imigrantes alemães chegaram na região e se instalaram em São Leopoldo. Além da representação do povo que chegou do Velho Continente, a concepção daria visibilidade a outros povos que já habitavam a Real Feitoria do Linho-Cânhamo: os escravos, que eram explorados e usados como mão de obra; os portugueses, que geriam o espaço; e os indígenas.
No entanto, a enchente histórica pela qual a cidade passou em maio trouxe riscos para a navegação pelo Rio dos Sinos, já que houve assoreamento devido ao acúmulo de sedimentos no fundo, o que ainda vem sendo analisado ao longo da bacia hidrográfica. “Em função das cheias, não há segurança de navegação no rio. Isso nos obrigou a um realinhamento do cronograma, postergando a chegada da embarcação. O transporte será via terrestre, mas já estamos construindo o percurso com a empresa responsável”, diz Jussara.
Educação ambiental será o foco da embarcação
O planejamento das viagens deve ser focado na educação ambiental como uma das estratégias no enfrentamento às mudanças climáticas. “Conhecer o rio, seus problemas, sua diversidade e sua beleza é uma forma de devolvê-lo à cidade com a compreensão ecológica de sua importância. Alunos das escolas municipais terão a viagem pelo rio como elemento constante no calendário escolar, mas também haverá o chamamento da população como um todo através de atividades específicas para cada setor da sociedade”, garante a secretária de Meio Ambiente, salientando que o Barco-Escola conta com a parceria da Secretaria de Educação e do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) da cidade.
Durante a assinatura da ordem de início da construção, o prefeito Ary Vanazzi já havia adiantado o propósito do Peixe Dourado. “O Barco-Escola não é apenas um barco, ele é parte de uma política estratégica que nós definimos em 2005 para recuperar o equilíbrio ambiental, socioambiental e produtivo da cidade de São Leopoldo. Ele é uma política estabelecida que segue desde o plano diretor que debatemos, o mapeamento das mais de 300 nascentes que nós protegemos aqui na cidade e que abastecem os arroios do Rio dos Sinos”, disse na ocasião.
O barco foi construído no estilo catamarã com uma sala de aula que comporta até 66 pessoas e também servirá para pesquisa, ecoturismo, controle e fiscalização ambiental. Já o seu nome – Peixe Dourado – é alusivo a uma espécie ameaçada e carrega uma mensagem de recuperação do rio.
O peixe dourado é uma espécie indicadora que precisa de água limpa e da integridade ecológica do sistema onde vive. Como predador de topo, ele necessita das outras espécies como presa para sobreviver. Quando o conjunto destes fatores está desequilibrado, a população do dourado diminui, como ocorreu nas últimas décadas.
Guilbert Trendt, da Redação Start

























Comentários