Celulares podem se tornar itens de luxo - Por Getulio Zanotti
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A maior máxima da economia é, talvez, que o mercado passa por ciclos. Quando o assunto são os celulares, já passamos pela fase de trata-los como luxo e de querer colocar um smartphone em cada mão. Hoje, o objetivo parece ser tornar o aparelho um item de desejo inalcançável para a maioria.
Primeiramente gostaria de esclarecer, um celular é (ou deveria ser) uma ferramenta, não um atestado de status. Mas seja por uma questão de posicionamento, de mercado ou uma conjuntura econômica, estamos seguindo na contramão dessa lógica.
A Anatomia do Preço (Por que custa tanto?)
Existem fatores que justificam o aumento de preço desses produtos: a recente ‘crise de memórias’, o ‘custo Brasil’ e a ‘oligarquia das fabricantes’.
Como já abordamos em um video do Tech News, a corrida das IAs aumentou a demanda por servidores, e esses, precisam de uma quantidade avassaladora de memória RAM. Com essa nova demanda, o mercado ficou desabastecido fazendo com que as fabricantes precisem desembolsar em torno de 20% mais para adquirirem o componente. Como sempre, todo aumento de custo é repassado ao consumidor!
Aqui nas terras tupiniquins, existe o famigerado custo Brasil; Fabricantes são obrigadas a adaptar os produtos aos padrões da ANATEL (quase sempre significando reprojetar), temos o efeito cambial por o real ser uma moeda desvalorizada, e a imensa carga tributária que, foi aumentada para favorecer uma indústria nacional que sequer existe.
Quando falo em oligarquia das fabricantes, me refiro ao fato que poucas marcas ditam o rumo de toda uma industria. No Brasil, três marcas representam 72.49% de todos os aparelhos (fonte: statcounter). Globalmente, Apple e Samsung sozinhas são mais da metade das vendas no segmento. Juntamente com a alta concentração, vemos marcas como LG e Asus simplesmente desistido de fabricar telefones.
Era de conceitos
Vemos também marcas tentando, por pressão popular, criar inovações que, consequentemente, trazem altos custos. Aparelhos como o Mate XT da Huawei ou o Z Trifold da Samsung inauguraram não só o seguimento de aparelhos com ‘três telas’ mas também a faixa dos R$30 mil. Marcas como a britânica Vertu apostando no mercado conceitual e ‘normalizando’ aparelhos acima dos 2 mil dólares. Somando a isso a padronização de materiais nobres, como titânio, cerâmica, safira; inclusive a Motorola lançando aparelhos cravejados com cristais da Swarovski.
Veredito
Seja por custo de produção ou para atender a tendências de mercado, a indústria caminha para um único destino: os celulares podem voltar ao patamar de itens de luxo. Mas aguardemos! Da mesma forma que já abandonamos esse ciclo uma vez, o mercado pode se autorregular novamente.
O intuito desse texto não é vender uma promessa de futuro, este tipo de previsão costuma flertar com o sensacionalismo ou mesmo o charlatanismo. Meu compromisso é avaliar o comportamento real de uma indústria que dita o nosso cotidiano. Fica, porém, o alerta: estamos nos tornando codependentes de uma tecnologia que, em breve, pode deixar de ser acessível para a maioria.

Getulio Zanotti, é especialista em digitalização de negócios, programador por formação e fundador da Aion Inovação, consultoria focada em organização de processos, automação e uso prático de tecnologia nas empresas.


