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Com 95% das galerias concluídas, novo Presídio Central deve voltar a receber presos em 2025

Imagem: André Ávila/ Agência RBS.

O pior presídio do Brasil não existe mais. Ou, ao menos, não fica mais na capital gaúcha. Do antigo Presídio Central – hoje chamado de Cadeia Pública de Porto Alegre – restam memórias e algumas paredes. Desocupada, a prisão, que já abrigou 5 mil encarcerados em seu período crítico, teve os históricos pavilhões demolidos, e nove módulos construídos no lugar. Com 95% das obras concluídas, a expectativa é de que até o começo do ano que vem a cadeia volte a receber presos.


O Presídio Central foi considerado ao longo de décadas o retrato do caos no sistema penitenciário, e virou símbolo da violação dos direitos humanos. As novas instalações trazem a promessa de deixar esse cenário para trás. Duas galerias estão em fase final, com etapas como instalação hidráulica, elétrica, pinturas e limpeza – as demais estão prontas.


A parte administrativa, ocupada por servidores na área de ingresso da prisão, não chegou a ser demolida. Está passando por reformas realizadas por 20 apenados de outras unidades prisionais.


"Isso foi uma transformação no sistema penal do Rio Grande do Sul, com investimentos não apenas na destruição daquele presídio, que tanto problema causou, mas na política pública que passou a ser implementada de enxergar o sistema com essa necessidade de dar melhor condição às pessoas, dar à chance para aqueles que quiserem se ressocializar. O Central foi um grande sinal de que iríamos investir e mudar a realidade, começando pelo pior", avalia o secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Luiz Henrique Viana.


Antes da reocupação com presos, precisa ser finalizada uma etapa que foi acrescida à obra inicial. Não estava prevista a construção de nova cozinha e lavanderia, o que se percebeu necessário ao longo do andamento, em razão das condições encontradas. A ideia inicial era aproveitar a estrutura anterior da cozinha, mas isso não foi possível. Um aditivo de cerca de R$ 14 milhões no contrato foi firmado pelo governo do Estado, somando-se aos R$ 116 milhões iniciais.


"A obra está na fase final mesmo, mas dependendo da construção da cozinha e lavanderia, que são necessárias para que se tenha a prestação do serviço, de lavar uniformes e da alimentação. Isso nos dá também a possibilidade de implementar o trabalho prisional, de apenados que podem trabalhar na cozinha, e fazer a remição de pena", afirma Viana.


Uma das maiores mudanças visíveis no Presídio Central é que antes as galerias eram verticais, andar sobre andar, e agora a cadeia se estende num nível só. Acima das celas, há um corredor por onde agentes abrem e fecham grades, sem contato entre os servidores e presos. A casa prisional usa o mesmo tipo de construção de outras unidades erguidas no RS, como em Bento Gonçalves, Venâncio Aires e Sapucaia do Sul.


O Central, que abrigava cerca de 2 mil presos quando a obra se iniciou, foi desocupado em três etapas – a última foi concluída no fim do ano passado. As novas galerias têm capacidade para comportar até 1.884 presos.


Fonte: GZH

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