Cortes no Programa Assistir afetam a saúde pública de Sapucaia do Sul. População denuncia abandono e exige Providências
- Start Comunicação

- 30 de abr. de 2025
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Sapucaia do Sul vive um dos momentos mais delicados em sua rede de saúde pública. A população tem enfrentado longas esperas, fechamento de leitos e serviços reduzidos no principal hospital da cidade, a Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV), que também atende pacientes de municípios vizinhos. A crise gerou mobilização popular e protestos nas redes sociais, onde usuários denunciam o que chamam de abandono por parte do poder público.
Segundo a Prefeitura Municipal, a situação foi agravada pelos cortes nos repasses do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, promovidos por meio do programa “Assistir”. Os valores mensais destinados à FHGV, que chegaram a ser de R$ 3,8 milhões, foram reduzidos para cerca de R$ 1,5 milhão desde julho de 2022. O impacto acumulado já ultrapassa R$ 31 milhões, comprometendo áreas essenciais como urgência, emergência, pediatria e obstetrícia.
O prefeito Volmir Rodrigues se manifestou com veemência sobre o tema. "Como prefeito, não posso aceitar que nossa comunidade sapucaiense seja penalizada desta forma. Estamos falando de vidas, de famílias que dependem de um sistema de saúde funcional e eficiente", declarou. Ele afirma que a administração municipal tem direcionado até 27% do orçamento para a saúde — quase o dobro dos 15% exigidos por lei — na tentativa de compensar a perda de recursos estaduais. "A responsabilidade do estado não pode ser simplesmente transferida para o município", completou.
A crise financeira forçou o fechamento de 60 leitos clínicos na última semana. Atualmente, o hospital opera com apenas 164 leitos disponíveis. Pacientes que excedem essa capacidade estão sendo encaminhados ao Sistema de Regulação de Internações Hospitalares (Gerint), podendo ser transferidos para outras instituições da região.
Além das dificuldades para a população, os profissionais da saúde também enfrentam um cenário preocupante. Médicos da FHGV alegam não ter recebido salários desde fevereiro. A fundação reconhece atrasos no pagamento de horas extras, férias e serviços terceirizados, e informou que os pagamentos estão sendo realizados conforme o ingresso de recursos federais, priorizando inicialmente os funcionários da UPA e do Samu.
A superlotação também atinge a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sapucaia do Sul, que passou a registrar mais de 300 atendimentos diários, impulsionados pela alta nos casos de dengue — cerca de 60 por dia. Desde a última sexta-feira (26), a unidade adotou medidas emergenciais: moradores de outros municípios que apresentarem sintomas leves estão sendo orientados a buscar atendimento em suas cidades de origem. Apenas os casos graves continuam sendo acolhidos, independentemente da procedência.
Diante da sobrecarga, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou a importância da prevenção à dengue e pediu que a população busque atendimento apenas em casos realmente necessários. A pasta também destacou que os recursos do Fundo Estadual de Saúde são repassados diretamente à Fundação Hospitalar, o que dificulta o planejamento e execução de ações por parte da secretaria municipal.
Enquanto a crise escancara os desafios enfrentados não apenas por Sapucaia do Sul, mas por diversos municípios gaúchos, autoridades locais cobram uma revisão urgente do modelo de financiamento do SUS no estado. “Mesmo com os cortes, fomos o único hospital da região que não fechou serviços”, afirmou o prefeito. “Seguiremos trabalhando com transparência e dedicação.”
A situação segue sendo monitorada por lideranças políticas e representantes da saúde, que alertam para o risco iminente de colapso no sistema caso não haja uma resposta rápida e eficaz das esferas estadual e federal.
Da redação www.startcomunicacaosl.com.br - Por Mariana Santos - Jornalista MTB 19788/RS

































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