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Dissídio dos servidores leopoldenses: além dos números, existem pessoas - Por Bado Jacoby

Há momentos em que a política se revela menos nas planilhas e mais na capacidade de ouvir. A primeira etapa das negociações entre a administração municipal de São Leopoldo e os(as) representantes dos servidores(as) deixou uma impressão de que tudo foi tratado somente pela leitura fria dos números, pelo menos por parte dos representantes do governo municipal. A responsabilidade fiscal deve ser prioridade de qualquer gestão pública, mas no caso das negociações, faltou uma dose de sensibilidade. Além dos números, existem pessoas.


Ninguém em sã consciência questiona a importância do rigor fiscal. Cuidar das contas públicas é dever básico de qualquer gestor e, quando bem feito, merece reconhecimento. Mas a vida real não cabe apenas nas colunas de débito e crédito. A gestão pública, por definição, lida com gente. E gente não se resume a índices.


A grande maioria dos servidores e servidoras municipais de São Leopoldo, estão longe daquela imagem distorcida de privilégios que, vez ou outra, ganha espaço no discurso fácil. A realidade é bem mais simples e mais dura. São profissionais que mantêm a cidade funcionando, muitas vezes enfrentando limitações, pressões e um cotidiano que exige mais do que o salário consegue compensar. E talvez a categoria mais exposta as todas as mazelas de nossa sociedade, é a da educação em todo o seu contexto.


Em São Leopoldo, essa categoria já atravessou períodos de desgaste e até de enfrentamento direto com gestões passadas, especialmente na controversa gestão dos chamados “senhores da excelência em gestão”, entre 2013 e 2016. Qualquer sinal que remeta àquele período reacende cicatrizes ainda abertas e acende um alerta imediato entre os servidores.


O governo atual já demonstrou, em outros momentos, que é possível conduzir a máquina pública com responsabilidade sem transformar os servidores nas maiores vítimas dos rigores fiscais e financeiros da administração municipal.


E é aqui, que entra a figura institucional do prefeito Heliomar Franco (PL), que já deu mostras, no dissídio de 2025, de que sabe conduzir esse tipo de negociação com equilíbrio, sensibilidade e capacidade de diálogo. Foi justamente essa postura que ajudou a construir um ambiente mais respeitoso entre as partes.


Agora, diante de um cenário mais tenso, cresce a expectativa de que o prefeito “entre em campo” novamente. Não como um gesto de intervenção pontual, mas como alguém que compreende, pela própria trajetória no serviço público, o peso que essas decisões têm na vida de quem está na base.


Negociação não é apenas apresentar números. É construir caminhos. É reconhecer o outro lado da mesa. É entender que, por trás de cada percentual, existem histórias, compromissos e uma expectativa mínima de respeito.


Talvez o que falte agora não seja mais uma reunião, mas sim um gesto. Um sinal de que a frieza dos números não será a única voz a conduzir esse processo. Porque, no fim, governar bem não é apenas fechar contas, é também abrir diálogo. E neste momento, mais do que nunca, será preciso repetir a dose de sabedoria e sensibilidade que fez diferença na negociação do ano anterior.


Bado Jacoby, é apresentado e repórter da Start Comunicação

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