Do afastamento do diretor da PF à quebra total de sigilo: a cronologia da crise que tomou conta do STF
Em apenas quatro dias, decisões de ministros, reação da PGR, operações da Polícia Federal e novas revelações ampliaram a crise envolvendo o caso Banco Master

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, desencadeou, nos últimos dias, uma sequência de acontecimentos que aprofundou ainda mais, uma das mais graves crises institucionais recentes do país.
O episódio colocou em confronto decisões de diferentes ministros do STF, expôs divergências sobre a atuação da Polícia Federal e ampliou a pressão para que documentos do caso Banco Master sejam tornados públicos. Confira os principais acontecimentos em ordem cronológica.
8 de setembro — Mendonça afasta o diretor da PF
O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, determinou o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada, diretor de Inteligência da corporação. A decisão atendeu a um pedido do Partido Novo, que também havia solicitado a prisão preventiva de Andrei, medida que não foi acolhida pelo ministro.
Mendonça alegou a existência de indícios de irregularidades e afirmou ter sido alvo de um suposto monitoramento da inteligência da PF durante agosto. Segundo ele, pelo menos seis relatórios teriam sido produzidos tendo seu nome como alvo.
9 de setembro — Dino reintegra Andrei
No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou a imediata reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos. Dino argumentou que houve “atropelos processuais” na decisão de Mendonça e questionou a legitimidade do Partido Novo para pedir o afastamento de uma autoridade pública em um processo criminal. Também afirmou que Mendonça teria decidido em causa própria ao afastar integrantes da PF.
A decisão criou uma situação inédita, a partir do momento, que dois ministros do STF haviam proferido decisões conflitantes sobre o comando da mesma instituição.
Ainda em 9 de setembro — Fachin intervém
Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino. Na prática, Andrei Rodrigues permaneceu no comando da Polícia Federal.
Fachin também retirou de Alexandre de Moraes a condução do chamado Inquérito das Fake News e concentrou na Presidência do Supremo procedimentos relacionados a possíveis investigações de ministros da Corte. Além disso, marcou para 15 de setembro uma sessão extraordinária do plenário para analisar o pedido relacionado à possível investigação de Moraes no caso Master.
10 de setembro — PF deflagra operação sobre o filme Dark Horse
Enquanto a crise entre os ministros se agravava, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, que investiga suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos das buscas estava o deputado Mário Frias (PL-SP). A decisão de Flávio Dino também mencionou os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS).
Dino determinou posteriormente a retirada do sigilo da decisão que autorizou as buscas. O caso passou a integrar o conjunto de investigações que envolvem recursos, emendas parlamentares e relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
11 de setembro — Fachin determina quebra total do sigilo
A crise chegou a outro ponto de tensão nesta sexta-feira (11). Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados ao caso Master, dando prazo de 24 horas para o cumprimento.
Mendonça havia liberado anteriormente parte do material, mantendo sob sigilo documentos relacionados a algumas linhas de investigação e diligências. A PGR e os o ministro Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, consideraram a liberação incompleta. Entre os documentos que ganharam relevância estão investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, incluindo suspeitas de repasses de R$ 61 milhões, além de apurações envolvendo autoridades e relações de Vorcaro com integrantes dos Poderes.
A crise agora chega ao plenário
O que começou com o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal transformou-se em uma disputa institucional que envolve Mendonça, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Edson Fachin, além da PGR e da própria direção da PF.
Ao mesmo tempo, novas informações vêm sendo reveladas com a abertura dos documentos do caso Master. A PGR chegou a apontar que 18 procedimentos ainda permaneciam sob sigilo, enquanto Mendonça contestou a acusação e afirmou que os documentos disponíveis haviam sido liberados.
A próxima etapa será a sessão extraordinária do plenário do STF, marcada para terça-feira (15). Entre os assuntos está a discussão sobre a validade de um relatório da PF que reúne mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e o pedido para abertura de investigação sobre o ministro.
Da redação do www.startcomunicacaosl.com.br /Bado Jacoby

























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