Edir Macedo critica lema “Deus, Pátria e Família” e sinaliza distanciamento da Igreja Universal do bolsonarismo

Em um movimento que consolida a mudança de rumos políticos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), o bispo Edir Macedo criticou abertamente o lema "Deus, Pátria e Família", marca registrada do bolsonarismo. A declaração, proferida durante culto há alguns dias, ganhou forte repercussão nas redes sociais.
Durante a pregação, o líder religioso questionou a estrutura e a hierarquia do slogan político. "Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser", afirmou Macedo. O bispo contestou o peso dado ao conceito de nação na frase: "Porque se não houver família, vai haver pátria? Impossível", argumentou, citando passagens bíblicas para defender que a estrutura familiar deve preceder as instituições estatais.
Silêncio estratégico e neutralidade
A contestação teológica reflete o pragmatismo político adotado pela Universal em 2026. Diferentemente do pleito de 2022, quando a máquina da igreja e a Record TV foram mobilizadas de forma explícita em favor da direita, a ordem interna para o segundo turno deste ano foi de estrita neutralidade. Pastores e parlamentares ligados à instituição foram orientados a evitar manifestações políticas nos altares.
A ausência do apoio logístico e do engajamento de massa da IURD desfalcou a campanha bolsonarista no segmento evangélico, forçando a busca por abrigo em outras denominações, como a Assembleia de Deus e a base liderada por Silas Malafaia.
Bastidores e sobrevivência institucional
Nos bastidores de Brasília, analistas políticos apontam que o recuo estratégico da Universal visa proteger seus próprios interesses. O distanciamento ocorre em meio a desafios jurídicos enfrentados pelo Banco Digimais, ligado a Edir Macedo, que é alvo de investigações da Polícia Federal. Além disso, a cúpula da igreja buscou evitar novas sanções da Justiça Eleitoral, após os processos por abuso de poder econômico e religioso que marcaram a eleição anterior.
Ao adotar uma postura institucional neutra e criticar as bases ideológicas do bolsonarismo, a Universal sinaliza o desejo de manter pontes abertas com o governo federal e preservar suas concessões de radiodifusão, independentemente do resultado das urnas.
FONTE: Jornal o Globo

























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