Enquanto o mundo mudava a gente crescia - Por Daniela Bitencourt Andara
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- 25 de abr.
- 3 min de leitura
Dia desses, fui tomar um café com uma amiga querida e, entre um gole e outro, a gente se deu conta de uma coisa curiosa: nossa geração é impressionantemente diferenciada. Incrível! Sem modéstia mesmo. Não por escolha, mas por sobrevivência.
Éramos crianças quando ainda perpetuava sussuros de ditadura pelos cantos das casas, nos olhares assustados e silêncios dos adultos. E quando havia conversas sobre, era mudado de assunto quando alguém chegava. Ouvíamos falar de Diretas Já, cantando "Coração de Estudante" na Escola e vendo o povo voltar às ruas pedindo o direito de escolher.
Vimos, lá longe, uma cidade com um nome difícil chegar até nós: Chernobyl. Nem entendíamos direito o que era radiação, mas entendemos que o mundo podia dar muito errado (e deu!) de um jeito invisível.
Então vieram imagens que mais pareciam roteiro de cinema, mas não era: cidadãos derrubando um Muro (o Muro de Berlim) com as próprias mãos.
E talvez, sem perceber, aprendi que até os muros mais duros e altos, (físicos ou não!), um dia caem.
E, aqui no Brasil, o país inteiro começou a reaprender a votar para presidente, como quem reaprende a ter opinião.
E não parou por aí...
Teve o 11 de setembro. O mundo inteiro ficou em silêncio diante das tantas imagens avassaladoras. Assistimos, meio sem entender completamente, mas com o sentimento que, naquele dia, a inocência global perdeu um pedaço importante.
Ah! Tivemos ainda impeachment, plano econômico mudando mais que as fases da lua... Tivemos crise, tivemos esperança, tivemos decepções. Tivemos aprendizado, meio torto, de que estabilidade é quase uma ficção.
No meio disso tudo, chegou a internet. Primeiro lenta, discada, barulhenta, depois rápida até demais. Vieram as redes sociais, e, de repente, o mundo coube na palma da mão.
Aprendemos a viver e nos comunicar no analógico e no digital: a enviar cartas e escrever mensagens no celular, a enviar telegramas e emails, mandar áudios... a esperar e a querer tudo pra ontem. Ficamos mais impacientes!
E aí, quando achamos que já tínhamos visto e passado por tudo… Pandemia.
Casa virou mundo particular. Medo virou rotina. Distância virou cuidado e amor. E, mais uma vez, nos reinventamos, entre álcool em gel, saudade e uma imensa vontade de que tudo e todos ficassem bem.
Ainda não satisfeita, a vida resolveu nos testar mais um pouquinho: aqui no Rio Grande do Sul veio a enchente, com perdas e recomeços forçados.
E fomos adiante com coragem e fé....
Entre um acontecimento e outro, trabalhamos, criamos nossos filhos, pagamos contas, sonhamos ( nunca deixamos de sonhar!) e realizamos.
E, me diz leitor…Também notaste tudo isso acontecendo rápido demais?
Ou foi só eu que pisquei e saí da infância direto pra um mundo que não dá pausa?
Voltando para o meu Dia de café: em meio a conversa, lembrando de tudo isso nós rimos. Porque talvez seja isso que melhor define a nossa geração: a capacidade de rir e muitas vezes e se sentir grato, mesmo no meio do caos. Não por falta de noção, mas por excesso de vida.
Ufa!!!
Tudo isso em uma vida só.
E sabe o que é mais bonito?
Apesar de tudo, ainda falamos de futuro. Ainda fazemos planos. Ainda acreditamos.
E olha só que maravilha… como dizia Renato Russo: "Somos tão jovens..." Ainda temos muito a viver.

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo
























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