Esporotricose: um perigo silencioso para gatos e humano

A esporotricose é uma zoonose causada por um fungo do gênero Sporothrix, presente natural mente no solo, em espinhos de plantas e na matéria orgânica em decomposição – especialmente em regiões quentes e úmidas. No entanto, nos últimos anos, o número de casos aumentou drasticamente entre gatos e humanos, tornando-se um problema de saúde pública em diversas regiões do Brasil. Aqui em São Leopoldo e região, estamos em uma verdadeira endêmica de esporotricose, esse inimigo silencioso que virou rotina de atendimento nos consul tórios veterinários. Lembro os colegas que a Notificação dos casos Suspeitos é obrigatória.
Como a doença é transmitida?
Reprodução internet A principal forma de contágio entre os animais e para os humanos ocorre através de arranhões, mordidas ou contato direto com secreções de gatos infectados. Isso porque, diferente dos cães e outros animais, os gatos desenvolvem formas mais graves da doença, com úlceras profundas e secreções ricas em fungos.
Quais os sinais em gatos?
▪ Feridas que não cicatrizam, especialmente no rosto, focinho e patas
▪ Espessamento do focinho
▪ Nódulos que se rompem e formam crostas
▪ Espirros, secreção nasal ou lesões no corpo
E em humanos?
▪ Lesões avermelhadas na pele, geralmente nos braços ou mãos ▪ Pequenos caroços que evoluem para feridas
▪ Em casos mais graves, pode haver infecção em ossorespsistema respiratório. O diagnóstico é clínico e laboratorial, e o tratamento envolve antifúngicos por várias semanas e meses – tanto para os animais quanto para os humanos.
O mais importante: não abandone o gato infectado! Ele tem chance de cura e precisa de acompanhamento veterinário rigoroso. No Hospital Veterinária CG Bravo, temos inúmeros casos de recuperação total dos animais!
Como prevenir?
▪ Evite que seu gato tenha acesso à rua
▪ Utilize luvas ao manipular terra ou plantas com espinhos
▪ Em caso de feridas suspeitas, procure um médico ou médico veterinário imediatamente
▪ Mantenha os ambientes limpos e desinfetados Esporotricose tem cura – mas exige cuidado e compromisso.
Se você suspeita que seu animal de estimação possa estar infectado, não espere agravar! Procure atendimento no seu hospital veterinário de confiança.
O diagnóstico precoce salva vidas humanas e animais. Esporotricose humana passa a ser de notificação compulsória A esporotricose humana passa a fazer parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória e deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
A decisão foi pactuada durante a 1ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) de 2025, realizada nesta quinta-feira (30), em Brasília. A implantação da vigilância epide miológica das micoses endêmicas é uma das responsabilidades do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Trans missíveis (Dathi), dentro do Plano Nacional de Saúde (2024-2027). “A notificação compulsória vai nos ajudar a avaliar o real cenário epidemiológico da esporotricose humana no Brasil e, como consequência, a construir políticas públicas assertivas no controle dessa doença”, afirma o diretor do Dathi, Draurio Barreira.
A partir da notificação compulsória, o Ministério da Saúde trabalha na organização dos serviços de saúde do Brasil. Entre as ações estão: elaboração de ficha de notificação e investigação no Sinan para apoiar os estados; elaboração de protocolo de vigilância das micoses com fluxo da esporotricose humana detalhado; qualificações sobre o assunto para os profissionais de assistência à saúde e de vigilância; organização da rede diagnóstica laboratorial; além de planejamento estratégico na disponibilização de medicamentos antifúngicos para tratamento da esporotricose, considerando um provável aumento de demanda, perante à sensibilidade da vigilância.
De acordo com a coordenadoria de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Microbactérias não Tuberculosas (CGTM), há registros de esporotricose humana em 26 dos 27 estados brasileiros. Existe tratamento disponível no Sistema Único da Saúde (SUS). Contudo, a doença não seja ainda plenamente identificada e tratada em todo país. Por isso, é tão importante esse processo de implantação da vigilância das micoses endêmicas.
Por Amanda C.G Bravo - Grupo CG Bravo – referência em saúde veterinária e zoonoses.
@dra.amanda.cgbravo - @hospitalvet24h.cgbravo

























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