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ET PAPAM NON HABEMUS ? - Crônica de João Eichbaum

O filme “Habemus Papam”, de Nanni Moretti, é uma das obras primas da ironia e do sarcasmo que só o cinema italiano é capaz de produzir. Através de um veio crítico que percorre o filme, Nanni conta a história de um conclave no qual é escolhido um papa que não queria ser papa.


Já o conclave é pintado com boa dose de humor, atrás do qual se esconde, mas nem tanto, o sarcasmo de que se vale o grande diretor italiano, para debochar do instituto que a Igreja atribui ao Espírito Santo. Daí a escolherem o papa que vai produzir fumaça branca na chaminé do Vaticano, corre muito lero-lero. Desde a presença de um psicanalista, contratado por um dos candidatos que não queria ser papa, até um jogo de vôlei entre os cardeais, todos candidatos do Espírito Santo ao papado, se esvai um bom tempo, e algum cochichos entre os cardeais, sobre o possível futuro papa.


O filme tem como ator principal o grande, inesquecível e sisudo Michel Piccoli. Se não foi o último, deve ter sido um dos últimos filmes de sua brilhantíssima carreira.


Pois esse filme, concebido e dirigido, coincidentemente por um ateu, parece conter uma mensagem profética: a amostra do que seria a Igreja de que hoje temos notícia.


Derrotado pela avalanche de crimes sexuais praticados por padres, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, que havia adotado o nome de Bento XVI, pulou fora. E foi sucedido, logo por quem: por um cardeal argentino, com ideias mais ligadas a Fidel Castro do que a Jesus Cristo.


Jorge Bergoglio, o argentino que foi escolhido pelo Espírito Santo como sumo pontífice, é mais argentino do que papa. A última dele, depois de estapear uma mulher que lhe reteve mão, foi essa: “brasileiro toma mais cachaça do que reza”.


Teria sido inspirado pelo Espírito Santo ou pela demagogia que é própria dos líderes de esquerda? Seja qual for a resposta, ela sempre caberá dentro do quadro sarcástico de Nanni Moretti, que aponta para o desmonte das pedras que edificaram a Igreja, fundada por Saulo de Tarso, mas atribuída equivocadamente a Jesus Cristo.


João Eichbaum, é escritor e cronista

 
 
 

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