Ex-prefeito Vanazzi fica no jogo e a esquerda "perde" votos para a própria esquerda

A decisão do TRE-RS que deferiu, por 6 votos a 1, o registro da candidatura de Ary Vanazzi produz um efeito político que vai muito além da confirmação de que o ex-prefeito de São Leopoldo estará nas urnas. Quem perde espaço com a permanência de Vanazzi na disputa a uma das vagas na Câmara dos Deputados, são os próprios candidatos do campo político do ex-prefeito. Em termos eleitorais, essa é a principal consequência política da decisão.
Caso Vanazzi tivesse sido impedido de concorrer, seus votos não migrariam para candidatos de centro ou de direita. Pela sua trajetória, pela identificação construída ao longo de décadas e pela polarização que marca a política brasileira, a grande maioria desse eleitorado, provavelmente seria disputada por outros nomes do campo progressista, que também disputam vagas para a Câmara.
Com Vanazzi mantido na disputa, essa oportunidade diminui consideravelmente. Os candidatos que poderiam se beneficiar de sua ausência agora terão de disputar diretamente com ele um eleitorado no qual o ex-prefeito possui uma relação construída ao longo de muitos anos. E esse talvez seja o aspecto mais interessante da decisão do TRE-RS.
A eventual ausência de Vanazzi poderia enfraquecê-lo politicamente, mas também abriria espaço para outros candidatos da esquerda. Sua permanência preserva sua força eleitoral e, ao mesmo tempo, limita o espaço disponível para seus concorrentes do mesmo campo.Agora, isso não acontecerá.
Vanazzi continua no jogo, mantém sua base eleitoral e obriga os demais candidatos da esquerda a dividir com ele um eleitorado que poderia, em outra circunstância, estar disponível para novas alternativas.
No fim das contas, a decisão do TRE-RS não apenas mantém Vanazzi candidato. Ela mantém também uma disputa dentro da própria esquerda pelos votos que poderiam ter mudado de mãos.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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