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Exposição, redes sociais e os riscos da comunicação sem filtro do governo municipal - Por bado Jacoby

A polêmica envolvendo um vídeo publicado pelo secretário municipal de Habitação de São Leopoldo, Rodrigo Bach, reacende uma discussão importante sobre os limites e riscos da aparição de entes públicos, em tempos de redes sociais.


Na publicação, o secretário, que, aliás, vem tendo um bom desempenho em sua função, aparece conversando por telefone com uma moradora da Chácara dos Leões, na região nordeste da cidade, em uma situação que, segundo ele, envolveria uma possível irregularidade relacionada à venda de um imóvel obtido por meio do programa Compra Assistida.


Não se entra aqui no mérito sobre a denúncia ser verdadeira ou não, nem sobre a eventual existência de irregularidade. Se houver algo errado, cabe aos órgãos competentes apurar, investigar e tomar as medidas necessárias.


O problema está em outro ponto, e esse ponto, é a forma como situações delicadas vêm sendo expostas publicamente por integrantes da administração municipal, muitas vezes de maneira individual, sem mediação, sem cuidado institucional e sem que haja plena certeza sobre os fatos.


Quando um agente público grava e divulga um conteúdo desse tipo, expondo uma pessoa em redes sociais antes mesmo de qualquer conclusão formal, existe um risco evidente. Primeiro, para a imagem da pessoa envolvida. Segundo, para a própria administração pública, que pode acabar associada a julgamentos precipitados, constrangimentos desnecessários e até problemas jurídicos.


É evidente que a comunicação institucional mudou. Hoje, secretários, diretores e ocupantes de cargos públicos utilizam redes sociais para mostrar ações, responder demandas e aproximar a gestão da população e principalmente, se autopromoverem. Isso faz parte da dinâmica atual e, em muitos casos, pode ser positivo.


Mas existe uma linha tênue entre prestar contas e transformar situações complexas em conteúdo para redes sociais. E essa linha parece estar cada vez mais confusa e perigosa.


Há, sim, uma tentação evidente de muitos integrantes do primeiro escalão e até de setores do baixo clero da administração municipal, de criar fatos, produzir vídeos e gerar repercussão para conquistar notoriedade, ganhar engajamento ou demonstrar serviço ao prefeito.


Nem uma dúvida, que em tempos de redes sociais, isso se tornou uma moeda política poderosa. Um vídeo pode render curtidas, compartilhamentos e projeção pessoal. Mas também pode produzir desgaste, ampliar crises e gerar efeitos que fogem completamente do controle.


O governo do prefeito Heliomar Franco precisa compreender que esse tipo de exposição desordenada e sem um filtro da comunicação da prefeitura, pode trazer mais prejuízo do que benefício. Não se trata de impedir secretários de se comunicarem ou de voltar a um modelo engessado e distante. O que se faz necessário é estabelecer critérios, limites e uma coordenação mais rígida sobre aquilo que é divulgado em nome da administração municipal.


A comunicação de governo não pode funcionar como uma soma de iniciativas individuais e impulsivas. É preciso haver filtro, planejamento e responsabilidade. Uma situação mal conduzida pode virar manchete negativa, gerar questionamentos jurídicos e colocar toda a gestão em uma posição desconfortável.


Modernizar a comunicação é importante. Mas modernizar não significa perder o controle. Em muitos casos, a busca por visibilidade imediata pode acabar custando caro demais para uma administração, e em alguns casos, uma censura se faz necessária.


Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação

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