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Francês pede desculpas por passado escravagista da família e reacende debate sobre reparação histórica

Pierre Guillon de Prince, descendente de uma famosa família de Nantes, cujos ancestrais eram proprietários de navios que transportavam pessoas escravizadas, e Dieudonne Boutrin, descendente de africanos escravizados na Martinica, em foto de 2024. — Foto: REUTERS/Stephane Mahe/Foto de arquivo
Pierre Guillon de Prince, descendente de uma famosa família de Nantes, cujos ancestrais eram proprietários de navios que transportavam pessoas escravizadas, e Dieudonne Boutrin, descendente de africanos escravizados na Martinica, em foto de 2024. — Foto: REUTERS/Stephane Mahe/Foto de arquivo

Um gesto inédito na França trouxe à tona um passado ainda sensível no país: um homem de 80 anos se tornou o primeiro a pedir desculpas formalmente pelo envolvimento de sua família com a escravidão transatlântica.


O pedido foi feito publicamente por Pierre Guillon de Prince, durante um evento na cidade de Nantes, historicamente ligada ao tráfico de pessoas escravizadas. A iniciativa, segundo ele, busca reconhecer responsabilidades históricas e incentivar o debate sobre as consequências desse período.


De acordo com informações divulgadas pela imprensa, os antepassados do francês participaram diretamente do comércio de pessoas escravizadas, tendo transportado milhares de africanos e mantido atividades econômicas baseadas nesse sistema, especialmente no Caribe.


O pedido de desculpas ocorreu ao lado de um descendente de pessoas escravizadas da Martinica, com quem Guillon de Prince mantém diálogo e iniciativas voltadas à preservação da memória histórica. O ato teve caráter simbólico, mas foi visto como um marco por abordar um tema ainda pouco discutido de forma aberta na sociedade francesa.


Durante a manifestação, ele afirmou que o silêncio sobre esse passado contribui para a manutenção de desigualdades e defendeu que o país avance em ações mais concretas, para além de gestos simbólicos.


O caso reacende o debate sobre memória, responsabilidade histórica e possíveis formas de reparação, em um momento em que países europeus enfrentam crescente pressão para reconhecer seu papel na escravidão.


FONTE: G1

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