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Golpistas se passam por defensores públicos e usam voz clonada para enganar vítimas no RS


Foto: Reprodução/ RBS TV
Foto: Reprodução/ RBS TV

Criminosos estão usando informações de processos judiciais, mensagens falsas e até vozes clonadas de defensores públicos para aplicar golpes contra pessoas atendidas pela Defensoria Pública no Rio Grande do Sul. A Polícia Civil investiga pelo menos cinco casos no Estado.

Os golpistas utilizam dados pessoais e informações dos processos das vítimas para tornar as abordagens mais convincentes. Em alguns casos, prometem indenizações de valores elevados. Em outros, enviam links que podem permitir o acesso ao celular e às contas bancárias.


A fraude tem características semelhantes ao golpe do falso advogado. Segundo a Defensoria Pública, relatos desse tipo chegam à instituição cerca de uma ou duas vezes por semana. Os criminosos costumam informar que a vítima teria dinheiro a receber em um processo e, para liberar o suposto valor, cobram taxas ou solicitam transferências.


Uma das vítimas procurou a Defensoria para conseguir uma vaga em creche para o filho. Depois de obter a matrícula, recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como defensor público e afirmou que seria necessário concluir o processo. Durante o contato, ele pediu um depósito e orientou a mulher a acessar um link.

Ao clicar, ela acabou dando aos criminosos acesso ao celular e aos aplicativos bancários. A vítima perdeu R$ 899, valor que correspondia a cerca de um terço do salário e estava reservado para o pagamento da prestação da casa própria.


A Defensoria Pública alerta que não cobra qualquer valor pelos serviços prestados à população. “A Defensoria Pública não cobra pelos serviços. Ela não cobra nenhum tipo de honorário, nem nenhum tipo de despesa em razão do serviço da Defensoria”, afirma o assessor de segurança institucional da instituição, coronel Gilson Wagner.


Vozes clonadas são usadas nos golpes

Outra estratégia identificada é o uso de inteligência artificial para criar áudios que imitam a voz de defensores públicos. Em um dos casos, a vítima recebeu uma gravação informando que teria direito a uma indenização superior a R$ 124 mil após uma suposta decisão judicial.

O áudio imitava a voz do defensor público Felipe Kirchner, dirigente do Núcleo de Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas. Segundo ele, a voz é muito semelhante à original, embora apresente algumas características artificiais.

Os criminosos também utilizam falsos convites para audiências virtuais e, segundo relatos, já empregam recursos capazes de simular avatares em conversas online.


Golpes também miram acesso ao gov.br

Em São Sepé, na Região Central do Estado, uma aposentada de 79 anos quase caiu em um golpe semelhante. Ela recebeu mensagens que aparentavam ter sido enviadas pela Defensoria Pública e tentavam obter acesso à conta da vítima no aplicativo gov.br.

A mulher desconfiou da abordagem e interrompeu o contato. “Me mandaram a mensagem como se fosse a Defensoria. Tudo parecia que era real”, relatou.


A delegada Luciane Bertoletti orienta que pedidos de dinheiro, senhas ou acesso a contas e aplicativos sejam tratados com desconfiança. Em caso de golpe, a recomendação é procurar imediatamente a Polícia Civil e registrar a ocorrência.

Especialistas também orientam que a vítima encerre o contato e confirme a informação diretamente com o advogado, defensor público ou órgão responsável pelo processo, utilizando canais oficiais.


Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: G1 RS

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