Gov.Br: o que justifica o caos das plataformas públicas? - Por Getulio Zanotti
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Se você é brasileiro e/ou vive no Brasil, então, convive diariamente com diversos serviços do Gov.br. Por extensão, também já deve ter experienciado o constante caos e instabilidades que praticamente descrevem o seu funcionamento.
Na data de publicação desse texto, o INSS estava com seu sistema offline devido a uma manutenção programada que visa justamente tentar amenizar os problemas deestabilidade, segurança e desempenho dos serviços. Visto que, ao longo do ultimo mês, houve recorde de queixas relacionadas a problemas na plataforma.
Em meio às mudanças no sistema de tributação, a Receita Federal introduziu o sistema centralizado e unificado para notas fiscais. O qual durante esse primeiro mês, não conseguiu ter sequer um único dia de pleno funcionamento.
É também digno de nota a verdadeira confusão e desalinho da interfaces que permeiam os sites e aplicativos de todos os serviços públicos. Encontrar uma informação exige um trabalho quase forense, a acessibilidade, que ironicamente é tão enfatizada pelo governo, parece ser esquecida no digital, tarefas simples como fazer o download da versão atualizada do IR, tem caminhos tão ambíguos que chegam a ser ocultos.
A frustração é automática e deveras identificável no cidadão ou empresário que depende dos serviços. Entre as páginas mais acessadas do Downdetector (portal dedicado a monitorar problemas em serviços online) sempre figuram os órgãos governamentais. Infelizmente também não é incomum que busquem suporte através da minha consultoria e a resposta seja “Tu estas fazendo tudo certo, o site que está com problemas”.
Em suma, o problema não é falta de tecnologia, é falta de organização e planejamento. O Brasil não sofre de uma carência digital ou escassez profissional, mas da lembrança de que governo digital não é interface bonita, é serviço previsível, estável e confiável. Lembrar que isso exige investimento, profissionais qualificados e responsabilidade técnica.
A escolha por tecnologias inapropriadas, falta de clareza institucional, um processo que sempre foi moroso e a priorização da política partidária sobre a política pública; este é o problema sistêmico que, apenas transferiu a burocracia do papel para o código.
Sigamos acompanhando, e torcendo que as modernizações de infraestrutura colaborem para que os serviços atendam a sua função, que é o de auxiliar e não de atrapalhar a população brasileira.

Getulio Zanotti, é especialista em digitalização de negócios, programador por formação e fundador da Aion Inovação, consultoria focada em organização de processos, automação e uso prático de tecnologia nas empresas.

































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