Governo do RS propõe acabar com linhas de ônibus urbanas e metropolitanas duplicadas
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- 23 de fev. de 2022
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O governo do Estado propôs, em reunião com a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) na manhã desta quarta-feira (23), uma mudança em linhas de ônibus metropolitanas que estão sobrepostas aos coletivos urbanos dos municípios.
No encontro, o secretário estadual de Apoio à Gestão Administrativa e Política, Agostinho Meirelles, demonstrou que a demanda de passageiros totais para o sistema rodoviário de coletivos na região metropolitana é 53% do que era antes da pandemia, uma das justificativas para esta alteração. Se, antes, havia 900 linhas, 2.500 itinerários e 320 mil passageiros por dia, em dezembro de 2021 os números reduziram para 441 linhas, 1.250 itinerários e 172 mil passageiros.
Na prática, o governo trabalha no projeto há 20 anos, em seu aspecto técnico, e com uma consultoria desde o ano de 2019. A alteração prevê que haja a supressão de linhas duplicadas que realizam um mesmo trajeto, em horários próximos, permanecendo apenas uma, a depender do município.
A mudança valeria apenas em horários de entrepico em dias úteis, entre 9h e 16 horas; nos demais, não haveria alterações. Somente na capital, o Estado afirma que são 434 km de linhas sobrepostas, ou seja, que recebem tanto linhas urbanas quanto metropolitanas. Porém, as metropolitanas se sobrepõem às urbanas em 93% do trajeto dentro da cidade.
Porto Alegre, por meio do prefeito Sebastião Melo, e Canoas, por parte do prefeito Jairo Jorge, demonstraram interesse e liderarão o projeto-piloto em um primeiro momento, iniciando daqui a 90 a 120 dias. A secretaria também trouxe a situação da bilhetagem eletrônica, que vai permanecer, e a ideia é que ela seja unificada entre os municípios, e que permita diferentes formas de pagamento, como QR Code e cartão de crédito e débito, entre outros. Não está claro qual será o sistema, a depender de novos estudos, embora Canoas utilize o TEU, o que, nas palavras do prefeito Jairo, “deve facilitar a integração”.
Os chefes do Executivo saíram do encontro com mais dúvidas do que esclarecimentos. Entre elas, como será a compensação tarifária das linhas. “Existe um valor de passagem entre Viamão e Porto Alegre no transporte metropolitano, que é, com certeza, acima do nosso ônibus. Hoje, ele paga uma passagem cheia e vem para cá. Mas o que vai valer é só o valor da passagem de Porto Alegre no trecho que ele andar”, explica o prefeito Melo, também presidente da Granpal. A crítica do prefeito é que, se o sistema local for desativado, o operador do transporte metropolitano não devolverá o dinheiro investido ao operador da Capital.
A secretaria se defende, e diz que haverá menos custos para o sistema, redução de frota, da poluição ambiental e possibilidade até de redução na tarifa dos ônibus, mas reconheceu que demissões não estão descartadas. O projeto-piloto já está em andamento, primeiramente em Porto Alegre. A secretaria, em conjunto com a Metroplan, identificou os principais eixos de entrada da capital com cidades vizinhas. As avenidas Bento Gonçalves, Baltazar de Oliveira Garcia e Assis Brasil concentram, juntas, 69% do tráfego de passageiros em dias úteis. Estas, em conjunto com outras, como a Protásio Alves e ponte do Rio Guaíba, receberão as mudanças nas linhas primeiro. Também não serão extintas as linhas urbanas que levam aos locais com ônibus hoje sobrepostos.
A ideia é que cada município analise a proposta e possa adequá-lo à sua realidade. A prefeita de Novo Hamburgo e vice-presidente da Granpal, Fátima Daudt, afirma que há necessidades de soluções “o quanto antes”. O município, um dos maiores da região metropolitana, tem um processo licitatório do transporte coletivo que se arrasta há anos.
“Faremos o processo e aí as adequações necessárias, porque, como foi dito na reunião, temos que terminar com a sobreposição dos ônibus. Se houver necessidade de fazer alterações no processo licitatório, há uma cláusula que prevê isto”, afirma ela.
O Estado prevê uma nova reunião com os transportadores após o Carnaval para seguir discutindo o assunto.
Fonte: Correio do Povo
























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