Heliomar Franco passa a governar “com um olho no peixe e outro no gato” - Por Bado Jacoby
- Start Comunicação

- 4 de mar.
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A política de São Leopoldo e mais especificamente o governo de Heliomar Franco, atravessa um momento de reorganização inesperada e intensa, já no começo do segundo ano da nova administração municipal. O que deveria ser um período de consolidação administrativa acabou se transformando em um cenário de rearranjos, rupturas e reposicionamentos que movimentam não apenas o governo, mas também todo o contexto político da cidade e até com reflexos regionais.
Nos bastidores, a avaliação predominante é de que o ambiente político ganhou contornos quase terapêuticos, onde divergências pessoais, estratégicas e ideológicas passaram a ocupar espaço semelhante ao das agendas administrativas. A sucessão de episódios recentes demonstra que a formatação da aliança vencedora nas urnas não resistiu ao início efetivo do exercício do poder. Vaidades e interesses conflitantes, foram suficientes para implodirem pontes e criarem muros quase intransponíveis no aspecto político e até pessoal.
Cena 01 - A saída de Gabriel Dias do Semae e rompimento político com o governo
O primeiro movimento significativo ocorreu com a saída do ex-vereador Gabriel Dias do comando do SEMAE. A ruptura marcou o afastamento mais expressivo dentro da base que elegeu o prefeito Heliomar Franco e a vice-prefeita Regina Caetano.
Embora o episódio tenha causado repercussão pública, nos corredores políticos não houve surpresa. Já havia sinais claros de desgaste interno e divergências estratégicas acumuladas desde o período pós-eleitoral. Gabriel, que durante boa parte da campanha foi crítico contundente de Heliomar Franco, acabou aderindo a aliança em um movimento pragmático típico da política local, mas a convivência administrativa mostrou-se curta.
Hoje, reposicionado, tornou-se um dos opositores mais ativos da atual gestão, ampliando o tom crítico e buscando consolidar espaço político fora da base governista.
Cena 02 - O rompimento da vice-prefeita Regina Caetano
Se a saída do SEMAE representou o primeiro abalo, o rompimento político da vice-prefeita Regina Caetano com o núcleo central do governo confirmou uma crise mais profunda. O distanciamento em relação ao prefeito Heliomar Franco e à primeira-dama e secretária de Desenvolvimento Social, Simone Dutra, transformou divergências internas em confronto político e pessoal aberto.
Regina rompeu com a gestão que faz parte, sem adotar postura discreta. Ao contrário, passou a se posicionar publicamente, mantendo críticas e sinalizando independência política. A postura política, indica que o rompimento não foi circunstancial, mas estrutural e com reflexos diretos no desenho político do município.
Cena 03 - Uma aproximação inesperada
O elemento que mais desperta atenção nos pós rompimento político de Gabriel e Regina com o governo, foi a aproximação política entre os dois. Tornada pública nas últimas semanas, a relação entre ambos ocorre sem tentativa de disfarce e já é interpretada como possível embrião de uma nova composição política local. A questão que também fica nessa aliança inesperada, é se ela tem mesmo afinidades políticas, ou tem como sua base maior, atingir o governo e seus principais atores políticos. Uma aliança de ocasião, em regra, é feita no formato de um castelo de areia ou de cartas, e seu desmoronamento, não resiste a ventos simples. Gabriel Dias, com certeza sabe disso como poucos.
Para analistas e lideranças partidárias, essa convergência cria uma oposição com características inéditas: formada não apenas por adversários históricos do governo, mas também por ex-integrantes do próprio grupo que venceu a eleição.
Essa reconfiguração gera dúvidas sobre futuras alianças municipais e regionais. Na política, alianças múltiplas e simultâneas raramente se sustentam por muito tempo. A tentativa de dialogar com diferentes campos políticos ao mesmo tempo costuma produzir desgaste e desconfiança, um fenômeno que lideranças locais acompanham com atenção.
O governo foi a campo para se recompor porque a vida continua
Enquanto o cenário político se agita, o governo municipal trabalha para recompor sua estrutura interna e reafirmar prioridades administrativas. A estratégia do prefeito Heliomar Franco tem sido reforçar agendas consideradas estruturantes, buscando deslocar o debate do campo político para o campo da gestão.
Entre os principais focos está a reconstrução do sistema de escoamento de águas do município, considerado colapsado após anos de sobrecarga e eventos climáticos extremos. A administração reconhece que a solução exigirá planejamento de longo prazo e, principalmente, captação significativa de recursos fora do município, incluindo articulações estaduais, federais e até internacionais.
Saúde como eixo estratégico e prioritário
Outra prioridade anunciada é a área da saúde pública. A aposta política e administrativa do governo recai sobre a nova secretária municipal, Iara Cardoso, que recebeu autonomia para conduzir mudanças estruturais na pasta.
A gestão busca viabilizar recursos capazes de sustentar reformas e ampliar a capacidade de atendimento, em um setor historicamente sensível e determinante para a avaliação popular de qualquer governo municipal.
Nos bastidores, aliados defendem que resultados concretos nessas áreas poderão neutralizar o impacto das turbulências políticas iniciais.
Uma nova oposição em formação
O ponto central observado pela oposição formal, leia-se Partido dos Trabalhadores, é que o governo passou a enfrentar um modelo diferente de enfrentamento político. Não se trata apenas da oposição tradicional, organizada eleitoralmente, mas de uma dissidência interna com conhecimento do próprio governo e do funcionamento da gestão.
Esse fator altera o cálculo político para os próximos meses. O prefeito terá que equilibrar articulação institucional e gestão administrativa simultaneamente e governar, como diz um dos mais famosos ditados populares: “com um olho no peixe e outro no gato”.
Os próximos capítulos
Ainda é cedo para medir o alcance definitivo dessas movimentações, mas há consenso no ambiente político local, de que o cenário leopoldense entrou em nova fase. O desenho inicial da política leopoldense, a partir da eleição de eleição de Heliomar Franco e Regina Caetano, foi totalmente modificado, e a partir de agora, as alianças passam por teste constante e todos e todas, precisam repensar suas estratégias.
Os próximos meses deverão indicar se as dissidências resultarão em um novo bloco político estruturado ou se permanecerão como tensão episódica dentro do ciclo natural da política municipal. Por enquanto, o tabuleiro segue em movimento e São Leopoldo acompanha uma disputa que, mais do que eleitoral, passa a ser também narrativa, estratégica e profundamente simbólica sobre os rumos do poder local.
Já o PT, está tentando entrar na “briga”, para também ir para o protagonismo das disputas e debates eleitorais e político deste promissor ano de 2026. Mas está complicada essa tarefa, já que o fogo amigo do atual governo, está insaciável.
Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação

























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