IDEAS: até quando São Leopoldo vai esperar para resolver essa bomba-relógio na saúde? - Por Bado Jacoby
- Start Comunicação

- há 1 dia
- 2 min de leitura

Há problemas na administração pública que podem ser administrados. Outros precisam ser enfrentados. E existem aqueles que, quando se prolongam por tempo demais, passam a ameaçar todo o sistema. Na minha avaliação, a situação envolvendo o Instituto IDEAS chegou exatamente a esse ponto.
Não estamos falando de uma estrutura periférica. O instituto participa da gestão de serviços importantes da saúde municipal, incluindo unidades de atenção básica, a UPA 24 Horas da Zona Norte, o SAMU e outras estruturas que atendem diariamente a população.
O que chama atenção é a recorrência dos problemas. São trabalhadores reclamando de pagamentos, dificuldades administrativas, situações envolvendo atendimento e insegurança entre profissionais e usuários. Quando um problema se repete durante meses, deixa de ser apenas um episódio pontual e passa a ser um problema de gestão.
Ninguém é insubstituível
O cidadão que depende do SUS não quer saber quem deixou de cumprir uma obrigação contratual ou quem está cobrando quem. Quer chegar à unidade de saúde e ser atendido. O trabalhador quer trabalhar e receber. E o município precisa garantir que o serviço funcione.
Por isso, chega um momento em que não basta administrar a crise de hoje enquanto se espera que a próxima não aconteça. É preciso tomar uma decisão.
Talvez o maior equívoco seja imaginar que uma instituição contratada se tornou indispensável. Não existe empresa ou organização insubstituível. Contratos terminam, governos mudam e instituições são substituídas. O serviço público, porém, precisa continuar. Como diz o velho ditado, basta passar em frente a um cemitério para perceber que ninguém é insubstituível.
São Leopoldo não pode ficar refém da ideia de que romper ou substituir uma parceria significa colocar a saúde em risco. O maior risco pode justamente estar em manter indefinidamente uma relação que apresenta sinais recorrentes de desgaste.
A saúde não pode esperar
A própria secretária municipal da Saúde, Iara Cardoso, já destacou que cerca de 70% da população leopoldense depende do SUS. São milhares de pessoas que precisam diariamente dos serviços municipais.
Por isso, a questão do IDEAS não deveria mais ser tratada apenas como uma discussão contratual. É uma questão de continuidade, segurança e qualidade da saúde pública.
Se ainda existem condições para recuperar a parceria, que isso seja feito com metas, prazos e garantias objetivas. Se não existem, o município precisa construir uma saída responsável, planejando a transição e preservando trabalhadores e usuários.
O que não parece razoável é continuar administrando uma crise que se prolonga e, a cada novo episódio, exige uma nova explicação. O governo precisa governar, e governar também significa tomar decisões difíceis.
A hora de parar de administrar os efeitos da crise e começar a enfrentar sua causa chegou.
A saúde de São Leopoldo não pode esperar indefinidamente.
Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação
























Comentários