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Impasse trava recuperação da plataforma de pesca de Atlântida um ano após desmoronamento

Imagem: David Castro.

Cartão postal do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, a plataforma de pesca de Atlântida, em Xangri-lá, permanece interditada. O local foi severamente afetado pela maré em outubro de 2023, quando a força da natureza destruiu o restaurante e parte da passarela. Desde então, entidades vêm trabalhando para resolver impasses sobre a reconstrução e administração do local.


O laudo que poderá dar a real dimensão da situação da estrutura ainda não foi concluído. O Ministério Público Federal (MPF) está acompanhando a situação.


O desabamento da estrutura aconteceu em 15 de outubro de 2023. A forte ressaca que atingiu as praias do Litoral Norte destruiu as estruturas, danificando a passarela e levando praticamente todas as paredes do restaurante. Dias depois, o local foi interditado pela Associação de Usuários da Plataforma Marítima de Atlântida (Asuplama), e desde então, não reabriu mais.


A arrecadação da associação caiu cerca de 90%, e seis dos sete funcionários foram demitidos. Também não houve nenhuma obra de grande porte ou manutenção no local desde o incidente, já que o acesso ao espaço permanece proibido.


Como o local é de responsabilidade da União, mas estava sob posse da associação, a decisão sobre as obras para reforma ou demolição está em aberto. As autoridades esperam um laudo do Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que vai apontar se há condições de recuperar a plataforma, ou se ela precisará ser demolida. Além disso, a associação afirma que não tem condições financeiras de arcar com uma reforma, e pede auxílio à prefeitura de Xangri-lá, que só deve se manifestar após a conclusão do estudo do Leme.


Acordo para manutenção do espaço


A Asuplama afirma que, há cerca de cinco anos, a entidade já vinha tentando um acordo com a prefeitura para permitir que o município assumisse a manutenção do espaço. Enquanto isso, obras pontuais estavam sendo feitas.


"Estávamos já há cinco anos tentando um futuro melhor para a associação. Vínhamos em um processo junto ao MPF e União em acordo com a prefeitura para que facilitasse um repasse de verbas, para melhorar a manutenção da estrutura. Fomos assolados por diversas ressacas e até então a gente vinha pagando a recuperação da estrutura, e agora de quatro anos pra cá. A gente teve muita esperança de chegar a um acordo", diz o presidente da associação, José Rabadan.


O MPF também acompanha o caso desde o início. O órgão defende um acordo entre União, prefeitura de Xangri-lá e associação para definir quem vai ser responsável por fazer a manutenção do local, mas ressalta que, se nada for resolvido, há possibilidade de demolição da estrutura.


"O MPF atua para que se construísse um acordo. Fomos obrigados a entrar em juízo e, nessa ação, a gente pede que haja solução da patrimonialidade da plataforma e sua reconstrução. Caso seja inviabilizada essa reconstrução por desinteresse da União e do município ou por inviabilidade, daí, a gente pede que haja a demolição da plataforma", frisou a Procuradora da República, Claudia Vizcaychipi Paim.


A UFRGS foi procurada, e disse que não vai se pronunciar sobre o laudo, seguindo orientação da prefeitura de Xangri-lá. A reportagem ainda procurou a prefeitura de Xangri-lá, que disse que o acordo para realização do laudo foi assinado no primeiro semestre deste ano, mas que ainda não houve viabilidade técnica para a realização da perícia.


"Hoje, a gente está no aguardo do laudo. O mar tem que estar baixo. A maré baixa tem que entrar com jet ski. Não tem possibilidade de iniciar esse estudo. A UFRGS já esteve duas vezes aqui no município, mas, em virtude do clima, eles não conseguiram iniciar a vistoria. O laudo dando positivo e a União nos cedendo, o município tem interesse na plataforma", disse procurador Geral do município Thiago Serra.


A prefeitura ponderou, no entanto, que é um risco assumir o local sem ter o laudo porque há a possibilidade da plataforma não ter mais condições de uso, e se o local fosse assumido pelo município, a cidade seria responsável pelos custos de demolição.


Surfistas e pescadores querem solução


Na manhã desta segunda-feira (14), um grupo de surfistas caminhava próximo à plataforma. Eles reclamavam da estrutura, que apresentava riscos.


"A corrente nos leva para perto. Cai tijolo. Já caiu tijolo perto de mim. Tem pilar solto, que quebrou a quilha dele. Tá perigoso", disse o estudante e surfista David Thums, de 18 anos.


Para João Krahe, a plataforma foi a inspiração para a escolha profissional. Ele se formou em biologia e visita o local desde que era criança.


"Eu comecei a vir com cinco, seis anos. A plataforma é um símbolo do litoral. Tu vê pelo número de visitantes. As pessoas vinham para cá porque gostavam. Eu comecei a estudar biologia por causa da plataforma. Tem um potencial enorme como espaço de educação aqui", disse ele, lamentando o impasse.


Há 25 anos sócio da Assumapla, o aposentado Evaldo Padilha, reunia-se diariamente com amigos para pescar. O local também faz parte de sua história. Por isso, a falta de uma resolução que garanta a retomada da plataforma o incomoda.


"O que nós queremos é que ela volte, pra que a gente possa pescar. Queremos que mantenham esse cartão postal da cidade. Para que a gente possa se reunir e pescar, e para que os veranistas possam vir", completou.


Fonte: g1


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