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Infodemia: quando toda a informação do mundo não é suficiente - Por Getulio Zanotti

Pode parecer uma realidade distante, ou mesmo inimaginável para muitos, mas antes para pesquisar algo era preciso consultar os vários volumes da enciclopédia Barsa. Descobrir um número demandava uma lista telefônica. Para saber das noticias era esperar pela próxima edição do jornal.


Hoje a informação é instantânea, gratuita, infinita e algorítmica. Ao invés de quase 20 volumes de um livro, uma lista amarela comprada anualmente, dicionários, locadoras de vídeo; temos tudo concentrado na internet.


Em termos de acesso à informação, definitivamente progredimos. Saímos da escassez a um dilúvio! Mas agora enfrentamos as consequências imprevistas: com o apogeu da informática também tivemos o da desinformação, dos ‘especialistas em Google’, e de uma epidemia de saúde mental sem precedentes.


Google, modelos de IA, redes sociais, são todos ótimas ferramentas para compartilhamento de informações. O calcanhar de Aquiles é que não necessariamente nos dão a "verdade", eles nos dão o que queremos ler. O acesso fácil a dados cria uma falsa sensação de domínio sobre assuntos complexos após 5 minutos de leitura ou uma sequência de vídeos curtos. Os algorítimos de rolagem infinita foram desenhados para bombardear o cérebro com dopamina e nos manter online.


Mas não podemos demonizar a ferramenta! O mesmo algoritmo que tornou acessível quimeras tal qual a teoria da Terra plana, entrega conteúdos dos seus familiares, notícias e informação. O mesmo Google e as mesmas IAs que geram em alguns a falsa sensação de onisciência, permitem estudar profundamente um assunto.


Em verdade atribuímos funções e responsabilidades a essas ferramentas que nunca foram delas. Passamos a olhar para a internet como um arauto de conhecimento e esquecemos de coisas simples; ler além das manchetes, confiar na própria memória, pesquisar em várias fontes, descentralizar as tarefas.


A resposta a essa questão é simples, porém desafiadora, precisamos resgatar a nossa curadoria ativa. Isso significa estabelecer ‘dietas de informação’: escolher poucas e boas fontes de confiança em vez de consumir o que o algoritmo empurra. Na prática, vale o exercício de pausar antes de compartilhar, duvidar de soluções excessivamente simples para problemas complexos e, principalmente, praticar o desligamento intencional. A tecnologia deve servir para expandir nosso horizonte, não para nos manter confinados em bolhas de conforto onde apenas o que concordamos é ecoado.


O grande paradoxo da nossa era é que, embora tenhamos terceirizado nossa memória para a nuvem e nosso raciocínio para as IAs, a sabedoria continua sendo um processo estritamente humano. A ferramenta nos dá o dado, mas apenas o senso crítico nos dá a compreensão. No fim das contas, a solução para a infodemia não está em um novo aplicativo ou em um filtro melhor, mas em voltarmos a ser os protagonistas da nossa própria atenção. Afinal, de que serve ter o conhecimento do mundo na palma da mão, se não soubermos usá-lo?


Getulio Zanotti, é especialista em digitalização de negócios, programador por formação e fundador da Aion Inovação, consultoria focada em organização de processos, automação e uso prático de tecnologia nas empresas.





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