Laboratório do Exército reduziu produção de remédio para transplantados para fabricar cloroquina
- Start Comunicação

- 10 de mai. de 2021
- 2 min de leitura

No mesmo mês em que começou a produzir cloroquina, março de 2020, o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército reduziu 1/3 da produção de micofenolato de sódio 360 mg, medicamento imunossupressor vital para pacientes que passaram por algum transplante de órgão. Eles são cerca de 80 mil pessoas no Brasil e dependem do remédio fornecido exclusivamente pelo Exército ao SUS para que o órgão transplantado não seja rejeitado pelo organismo.
Os números que revelam a redução do medicamento foram obtidos junto ao Exército Brasileiro por meio da Lei de Acesso à Informação.
Em janeiro e fevereiro do ano passado, o laboratório da instituição produziu 5,6 milhões de comprimidos do imunossupressor em cada mês e não produziu cloroquina. Em março, foram produzidos 1,2 milhão de comprimidos de cloroquina e 3,7 milhões de micofenolato de sódio (360 mg) – quase 2 milhões a menos que nos dois meses anteriores.
Nos três meses seguintes, a produção do imunossupressor seguiu abaixo dos 4 milhões de comprimidos mensais e a fabricação de cloroquina continuou: 718 mil comprimidos em maio e 1,2 milhão em junho. O medicamento é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o tratamento da Covid-19, embora não tenha nenhuma eficácia contra a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde.
No final de 2020, o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército já havia produzido 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina, que foram enviados a vários estados do país. Naquele momento, enquanto sobrava cloroquina, faltava micofenolato de sódio (360 mg) em pelo menos 14 estados do Brasil e no Distrito Federal, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
No dia 27 de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde enviou um ofício à ABTO admitindo a falta do medicamento: “(...) têm ocorrido entregas parceladas por parte dos fornecedores contratados pelo Ministério da Saúde, dificuldade no cumprimento dos cronogramas contratuais, com risco de ruptura intermitente do abastecimento”, informou o documento.
Segundo os números do Exército, único fornecedor desse medicamento, a produção do imunossupressor em 2020 foi de 39,1 milhões de comprimidos –quase 4 milhões a menos que em 2019, quando a instituição entregou 42,9 milhões de comprimidos ao SUS.
No dia 21 de março de 2020, ainda nos primeiros dias de pandemia, o presidente Jair Bolsonaro postou em suas redes sociais um vídeo dizendo que o Hospital Albert Einstein estava fazendo estudos com cloroquina.
E concluiu: "Também, agora há pouco, me reuni com o senhor ministro da Defesa, onde decidimos que o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército deve imediatamente ampliar a sua produção desse medicamento."
Bolsonaro passou toda pandemia defendendo o uso de cloroquina em pacientes com a Covid-19, mesmo depois de comprovada sua ineficácia no tratamento da doença.
Em nota, enviada em fevereiro, o Exército disse que seu laboratório é um órgão executor e que “não é da sua competência decidir sobre qualquer ampliação ou redução na produção de medicamentos, bem como discutir sua eficácia ou utilização”.
Fonte: G1
























Comentários