Mais um acidente expõe descaso com fios soltos e omissão que coloca vidas em risco em São Leopoldo - Por Bado Jacoby
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- há 3 horas
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O acidente sofrido por um ciclista de 58 anos na manhã deste domingo (14), na Rua Olavo Bilac, no bairro Jardim América, é mais um episódio que escancara um problema antigo e amplamente conhecido em São Leopoldo. Ao ter os fios soltos da rede aérea enrolados na roda da bicicleta, o homem acabou caindo e precisou ser socorrido pelo Samu, sendo encaminhado ao Hospital Centenário. Felizmente, desta vez, a ocorrência não terminou em tragédia. Mas até quando a cidade continuará contando com a sorte?
Os riscos provocados pela fiação abandonada, rompida ou pendurada em postes espalhados por diversos bairros são denunciados há anos por moradores, lideranças comunitárias e pela imprensa. Não se trata de um problema recente, tampouco de uma situação imprevisível. Os alertas vêm sendo feitos repetidamente, enquanto os acidentes continuam se acumulando.
A concessionária RGE, responsável pela infraestrutura dos postes e pela gestão dos espaços utilizados pelas empresas de telefonia e internet, não pode se eximir de sua responsabilidade. É a empresa que administra essa estrutura e obtém receita com o compartilhamento dos postes. Portanto, não parece razoável que a ocupação desordenada, a presença de cabos abandonados e a falta de manutenção continuem sendo tratados como um problema sem dono.
É evidente que as operadoras de telecomunicações também possuem obrigações na remoção e organização dos cabos de sua propriedade. Mas cabe à concessionária responsável pela infraestrutura exercer controle efetivo sobre a utilização desses espaços e exigir o cumprimento das normas técnicas e de segurança. Quando isso não acontece, toda a população é exposta ao risco.
Mais preocupante, porém, é a sensação de omissão das autoridades encarregadas de fiscalizar e cobrar providências. O poder público municipal, que deveria atuar de forma mais firme na defesa do interesse coletivo, parece limitar-se a ações pontuais, enquanto a situação continua se agravando. Da mesma forma, causa estranheza que um problema tão recorrente e com evidente potencial de causar lesões graves ainda não tenha motivado medidas mais contundentes por parte dos órgãos de fiscalização e do Ministério Público.
Não faltam exemplos. Motociclistas, ciclistas, pedestres e até motoristas convivem diariamente com cabos baixos, emaranhados de fios e estruturas improvisadas em diferentes pontos da cidade. A poluição visual é apenas a face mais visível de um problema que, na prática, representa uma ameaça permanente à integridade física das pessoas.
Quantos acidentes ainda serão necessários? Quantas vítimas precisarão ser socorridas? Será preciso que uma morte ocorra para que as responsabilidades sejam finalmente assumidas?
O episódio deste domingo deveria servir como mais um alerta. Mas a verdade é que alertas já existem há muito tempo. O que falta não é conhecimento sobre o problema, mas vontade de enfrentá-lo com seriedade. Enquanto concessionárias, empresas de telecomunicações e autoridades seguirem empurrando responsabilidades umas para as outras, a população continuará pagando a conta e, em alguns casos, colocando a própria vida em risco.
Bado Jacoby é repórter e apresentador da Start Comunicação

























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