Mais uma Sexta-feira 13! - Por Daniela Bitencourt Andara
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Dia em que muita gente passa longe de gato preto, evita passar embaixo de escada e talvez até bata discretamente na madeira, como quem pede proteção ao universo.
Sempre achei curioso e misterioso todo esse cuidado com o azar.
Não que eu seja particularmente corajosa, longe disso. Tenho muitos medos, mas todos muito bem organizados. Alguns medos são insignificantemente pequenos, outros completamente irracionais, mas todos devidamente controlados para caber dentro da minha rotina.
Tenho medo de falar demais.
Medo de falar de menos.
Medo de parecer insistente.
Medo de parecer indiferente.
Medo de encontrar pessoas que não me façam ser eu mesma.
Medo da maldade humana.
E, também (por que não?), medo do futuro!
Todos eles formam um equilíbrio delicado. Uma espécie de coreografia emocional que a gente dança todos os dias. Sem ensaio, mas que muitas vezes se apresenta dentro da nossa rotina diária.
Quando éramos crianças, os medos eram mais delicados: monstros embaixo da cama, um tal “velho do saco”, sombras no corredor, algum barulho misterioso no meio da noite...
Hoje, os monstros são ainda mais discretos. Mas não menos assustadores!
Eles aparecem, quase sempre, em forma de decisões adiadas, mensagens não enviadas, palavras que engolimos porque “talvez não seja o momento”.
Existe também um medo bem respeitável chamado medo de parecer ridículo.
Esse, além de poderoso, impede declarações, interrompe risadas, cancela cantorias improvisadas no banheiro, trava decisões.
O curioso de tudo isso é que, olhando bem, as pessoas mais interessantes do mundo raramente parecem preocupadas com isso. Elas tropeçam nas palavras, contam histórias sem graça e constrangedoras sobre si mesmas, riem alto demais em lugares silenciosos...
E continuam vivendo...
Acredito que elas já tenham descoberto uma coisa importante: a vida não premia quem se melindra demais.
Em algum momento percebemos que muitos dos nossos medos são apenas a nossa mente, com hipóteses pessimistas, tentando nos proteger.
Lembrando as palavras do grande escritor Mark Twain: “Passamos boa parte da vida sofrendo por coisas que nunca chegam a acontecer”.
Porque, no fim, nenhuma sexta-feira 13 nunca assustou tanto quanto a possibilidade de deixar a vida passar intacta demais, segura demais e, talvez, vivida de menos.

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo


























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