Maternidade: quando a gente aprende a segurar (Parte 01) - Por Nana Vier
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A maternidade não começa no dia em que um filho nasce. Começa antes, num território meio silencioso onde cabem expectativas, medos, sonhos e uma espécie de coragem que a gente ainda nem sabe que tem. Quando a Ana chegou, eu achei que estava pronta. E, de alguma forma, estava. Mas não do jeito que eu imaginava.
Ser mãe não é um papel que se veste. É um lugar que se aprende ocupando. Aos poucos. Entre acertos que passam despercebidos e culpas que, muitas vezes, chegam sem convite. Eu lembro de olhar para ela, ainda pequena, e me perguntar se eu estava fazendo certo. Não no sentido técnico, mas no sentido mais profundo da palavra. Se eu estava sendo presença. Se eu estava sendo abrigo.
A maternidade me ensinou cedo que não existe controle absoluto. A gente planeja o sono, a alimentação, a rotina. E a vida, com sua delicadeza e sua bagunça, reorganiza tudo. A Ana me mostrou isso de um jeito muito direto. Ela nunca foi uma criança que cabia exatamente no que eu lia nos livros. E talvez tenha sido ali que eu comecei a entender que maternar é menos sobre seguir caminhos e mais sobre aprender a escutar.
Escutar o choro que não é só fome. O silêncio que não é só cansaço. O olhar que pede algo que não vem em palavras.
Entre uma fase e outra, eu também fui mudando. A mulher que eu era antes da Ana não desapareceu, mas precisou abrir espaço e se transformar. E isso nem sempre é confortável. Há dias em que a gente sente falta de si mesma. Há outros em que se surpreende com a própria força.
Ser mãe da Ana me ensinou sobre o tempo. Sobre esperar. Sobre respeitar o ritmo do outro. Sobre entender que crescer não é uma linha reta. E que, muitas vezes, o mais importante não é dar respostas, mas estar ali quando as perguntas aparecem.
Se eu pudesse dizer algo para uma mãe, em qualquer fase, talvez fosse isso: nem sempre você vai ter certeza, mas presença tem mais valor do que perfeição. E, no meio de tudo, há pequenos instantes que sustentam tudo. Um abraço que demora um pouco mais. Uma conversa sem pressa. Um riso compartilhado no fim de um dia comum.
É nesses momentos que a gente percebe que está construindo algo que não aparece nas fotos, mas fica gravado na alma.

Nana Vier, é professora e escritora
























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