Melissa Portal, Símbolo da luta contra o câncer em São Leopoldo, morre aos 38 anos

Faleceu aos 38 anos, a terapeuta holística Melissa Portal. Moradora de São Leopoldo, Mel, como era carinhosamente conhecida, era um símbolo da luta contra o câncer de mama na cidade. Ela deixa o esposo, Magnus e a filha, Luíza de 8 anos. Mel estava internada no Hospital Regina, em Novo Hamburgo, e faleceu na quarta-feira (05). O velório acontece na capela 3 do Cemitério Ecumênico Cristo Rei. A cerimônia de cremação está marcada para ocorrer nesta hoje, às 14 horas.
Em uma entrevista ao Jornal VS, Mel conta que em 2016, quando experimentava a alegria da maternidade, seu corpo começou a dar os primeiros sinais de alerta. “Meu peito ficou com a pele estilo casca de laranja, meu mamilo começou a ficar invertido, mas não reconheci os sinais”, lembra. “Em junho daquele ano estava tudo certo, minha bebê mamava bastante, havia feito eco e mamografia. Foi então que meu médico pediu para repetir os exames e eu gelei”, recordou ela durante a entrevista.
O temido diagnóstico veio poucos meses depois. “Descobri no dia 21 de dezembro de 2016, no dia do aniversário do meu marido e a um mês do 1º aninho da minha filha”, diz. Três anos depois, a doença evoluiu. “Desde 2017, parei seis meses de químio, depois disso tive ciclos a cada 21 dias. Em 2019, descobri minhas metástases no pulmão e nos ossos. No final de setembro de 2021, tive um sangramento no cérebro e precisei operar de emergência. De 2021 em diante, fiz várias radiocirurgias no cérebro e neste ano fiz de crânio total, que ficará agindo até o ano que vem”, contou.
Segundo Mel, por conta do histórico familiar, o tema do câncer sempre foi tabu, principalmente entre as mulheres da casa.
“Minha vó escondeu de família, só descobriram porque já tinha ferida na pele. Minha mãe ficou órfã cedo, foi criada pelas tias, descobriu o câncer depois de me amamentar. Ela nos deixou com 28 anos, quando eu tinha quase 2. No caso da mãe, os médicos achavam que era leite empedrado”, comenta. A perda da mãe tão jovem, fez com que Mel quisesse saber mais sobre a doença desde cedo. “Desde muito nova quis entender, por isso comecei a estudar, pesquisar, correr atrás”, explicou.
“Quando tive o meu diagnóstico fui atrás de um conhecimento maior, mas sempre quis saber. Sempre pensei que a medicina ia evoluir, que eu ia ter outros métodos e ia vencer, de cara limpa. E assim que sigo, sempre quis trazer esta leveza, especialmente para a minha filha, para que para ela o câncer não fosse este tabu, que não é aquela doença como a minha família me explicava. E eu acho que as crianças precisam entender isso porque é muito próximo a elas, é uma mãe, uma vó, uma tia”, destacou Mel na entrevista.
Fonte: Jornal ABC Mais - Por Renata Strapazzon

























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