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Narrando os 200 anos: 42º capítulo - A pujança da Indústria, comércio e serviços - 3ª parte


Uma das grandes empresas do segmento industrial e que deu grande visibilidade para São Leopoldo no cenário mundial não nasceu nesse município. Mas São Leopoldo se beneficiou e obteve os dividendos por poder contar com a planta industrial da Amadeo Rossi. Podemos afirmar que a cidade se projetou no restrito mercado mundial de produção de armamentos a partir da transferênciad da empresa de Caxias do Sul para São Leopoldo.


A empresa nasce no mesmo ano da Proclamação da República, em 1889, na Serra gaúcha, em Caxias do Sul. Após diversas mudanças e adequações ao negócio e à sociedade ao longo de mais de um século, a empresa sediada em São Leopoldo nos dias de hoje permanece como referência no mercado de esporte e lazer e a maior importadora de produtos de tiro esportivo do país.


Importante considerar que a história da empresa começa em 1881, quando o metalúrgico italiano Amadeo Rossi desembarcou no Brasil. Nascido em 1864 na localidade de Pessan, região do Vêneto, na Itália, veio estabelecer-se no Rio Grande do Sul, tal qual o destino de outros milhares de imigrantes oriundos da região do Vêneto.


Embora fosse um profissional da funilaria, Rossi dedicou-se inicialmente à agricultura. Porém, percebendo a necessidade e carência de ferramentas e instrumentos de trabalho, montou inicialmente uma oficina de consertos e fabricação de utensílios domésticos e agrícolas. Oito anos depois, em 23 de setembro de 1889, pouco menos de dois meses antes do advento do regime republicano, Rossi fundava em Caxias uma empresa para produzir utensílios domésticos, artigos de montaria e instrumentos agrícolas.


No ano de 1918, sob a denominação Amadeo Rossi & Filhos, Amadeo e seus filhos Mario, Antonio e Ricardo Rossi, passaram a investir na produção de espoletas para cartuchos de caça. Tratava-se de uma opção que alteraria completamente o futuro da pequena fábrica bem como da família como um todo. Naquele momento estavam estabelecidos na então Rua Silveira Martins – atual Avenida Júlio de Castilhos – em Caxias do Sul, permanecendo nesse local até o final da década de 1930, quando transferiram a empresa para São Leopoldo.


Ainda nos tempos em que estava sediada em Caxias do Sul, a empresa já contava com várias seções e com um grande mix de produtos. Fabricavam grande variedade de artigos de metal, tais como selaria e correaria; mas atuavam também com ourivesaria e relojoaria, com confecção de objetos de platina, ouro e prata, além de cravação de pedras preciosas; galvanização de objetos de metal e niquelagem; funilaria; a fundição de ferro. Aparelhavam também alambiques para destilação, tachos, baldes, banheiras, e bombas e cuias de chimarrão, castões de bengalas e artigo em geral. Nesse segundo momento que mencionamos, ano de 1918, quando já contavam com cerca de 150 funcionários, passaram a atuar também na fabricação de espoletas, fogo central e cartuchos.


Podemos afirmar que Amadeo Rossi evidenciou-se como um dos protagonistas nos primórdios da industrialização tanto de Caxias do Sul, bem como de São Leopoldo.


Já em 1922, o empreendimento entrou no ramo de armamentos, passando a fabricar espingardas e munições de caça. Com a mudança de segmento, a empresa continuou crescendo, até o ponto em que não houve mais condições de permanecer em Caxias, basicamente devido à frágil estrutura energética do município Assim, em 1937, durante a instauração do Estado Novo por Getúlio Vargas, a fábrica mudouse para São Leopoldo, buscando melhores condições de logística e fornecimento de energia elétrica. Com ampla planta industrial, a empresa de Rossi tornou-se uma das mais importantes marcas do segmento.


Inclusive durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a metalúrgica foi declarada indústria de interesse nacional, passando a fabricar armas de fogo como espingardas, rifles, carabinas, revólveres e pistolas. Nesse novo cenário, a companhia começou a ser reconhecida pela linha de produção de armas e munição, se inserindo também no mercado exterior.


Amadeo Rossi faleceu em 1956, aos 92 anos, em São Leopoldo, cidade que havia adotado para expandir seus negócios. Entretanto sempre manteve fortes vínculos com sua amada Caxias do Sul, onde participava intensamente do cotidiano sócio-cultural. Ele tinha 92 anos. Matéria publicada no Pioneiro da época destacava a cerimônia fúnebre e mencionando a família do empresário:

"O extinto era viúvo e deixou os seguintes filhos: senhora Marieta Rossi Francisconi, esposa do senhor Amilcar Francisconi; senhora Virgínia Germani, casada com o senhor Alfredo Germani, residentes em Porto Alegre; senhores Mário Rossi, Ricardo Rossi, Antonio Rossi, Eliseu Rossi, Modesto Rossi, Olívio Rossi e viúva Emília Pasqualetto".

Fonte: Histórias de São Leopoldo: dos povos originários às emancipações, de Felipe Kuhn Braun e Sandro Blume/ Pesquisa Bado Jacoby


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1 comentário


Davi Francisconi Ramos
Davi Francisconi Ramos
11 de mar. de 2024

Meu Deus!!! Amilcar Francisconi é meu Tetraavô 😮 Por Favor! Se souberem quem possuí informações sobre Marieta entre em contato comigo via Whatsapp: 47999344515! Ficarei Eternamente grato! ass. Davi Francisconi

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