"Não tínhamos a dimensão da enchente quando nos deslocamos", lembra piloto do helicóptero da PRF
- Start Comunicação

- 21 de set. de 2023
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Atualizado: 22 de set. de 2023

Nesta quinta-feira (21), o Programa Start News recebeu o comandante do helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no RS, Sérgio Motta, e o policial rodoviário federal, Gerson Galli, que comentaram sobre o trabalho da PRF para resgatar de helicóptero as vítimas das enchentes no Vale do Taquari.
Sérgio Motta iniciou contando como a equipe foi chamada para o serviço no Vale do Taquari. "Nós fomos acionados no final da noite anterior (4 de setembro) pelo nosso superintendente [Anderson Nunes]. Ele me ligou pois soube da situação de familiares de um outro colega que são de Muçum e estavam no segundo andar da sua residência por conta da enchente", relembrou.
Os profissionais se programaram para sair de Porto Alegre antes do sol nascer na manhã do dia seguinte (5 de setembro). "Não conseguíamos ir direto a Muçum, que era o objetivo inicial, por questões meteorológicas. Nós seguimos primeiro até Roca Sales e lá a situação era de um desastre completo. Foi uma surpresa, pois não tínhamos essa informação. Só sabíamos que a situação em Muçum estava difícil", contou Sérgio.
O operador aerotático Gerson Galli, que atuou auxiliando as vítimas a entrarem na aeronave, recordou um resgate marcante. "Já tínhamos feito vários resgates em Roca Sales e fomos abastecer. Quando estávamos voltando, ainda em Estrela, nos deparamos com umas dez pessoas em um barco amarrado no telhado em um quiosque quase submerso pela água. A correnteza era muito forte", detalhou.
Sérgio seguiu contando a mesma história. "Essas pessoas saíram para resgatar os animais na volta, mas a água cercou eles, então a solução que tiveram foi subir no barco. Esses barcos estavam primeiro no chão, mas foi subindo com a água até a altura do telhado", lembrou.
As pessoas resgatadas estavam em uma situação psicológica muito tensa por estarem em telhados das casas a noite inteira com a água subindo. "Elas vinham numa reação muito apavorada, tínhamos até o receio que alguém pudesse cair. Uma mulher estava com as mãos roxas de hipotermia, com muito medo. Ela não queria mais desembarcar do helicóptero já pousado no seco", afirmou Gerson.
"Duvido que alguém da tripulação não tenha saído diferente depois desse dia. Não nos deslocamos pra lá preparados para esse cenário mentalmente falando", destacou Sérgio. Ele explicou o árduo trabalho de decidir quais vítimas salvar primeiro que as outras. "É uma pessoa que está correndo mais risco, é mais idosa, ou está numa condição que conseguimos chegar ali com o helicóptero para salvar. Eram decisões tomadas na hora pela tripulação", explicou.
Sérgio ainda comentou sobre a sorte que foi ter uma aeronave disponível no dia. "O Rio Grande do Sul não tem uma aeronave alocada para o Estado. A utilizada chegou dois dias antes, enviada pela divisão de operações aéreas da PRF para outras atividades. Então ela foi retirada dessas outras atividades e realocada pra essa causa das enchente", relatou.
A gravação do Programa Start News está disponível nos canais da TV Start News no YouTube e Facebook, e tem reprise nesta quinta-feira (21), às 20h10, na radiostart.com.br. Confira a entrevista completa:
Gustavo Bays, da Redação Start
























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