O caos no transporte coletivo nos últimos dias expõe crise que vai além da Trensurb - Por Bado Jacoby
- Start Comunicação

- 14 de abr.
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A paralisação parcial da operação da Trensurb nesta segunda e terça-feira, provocada por dois incidentes externos ao sistema, escancarou uma realidade preocupante que há várias décadas existe e que agora escancarou em sua plenitude. O que seu confirmou nestes últimos dias, é não existe uma estrutura mínima, integrada e eficiente para lidar com crises no transporte coletivo da Região Metropolitana.
O problema não é apenas a interrupção parcial da circulação dos trens. Isso, por si só, já causa impactos significativos. O que é mais preocupante, porém, é que se evidencia algo ainda mais grave: a falta de articulação entre os modais. Em teoria, as empresas de ônibus deveriam atuar como suporte imediato em situações emergenciais. Na prática, o que se observa é desorganização, improviso e incapacidade de absorver a demanda. Falta planejamento, falta coordenação e falta, principalmente, uma gestão mais ampla. É lamentável que persista a sensação de que esses problemas históricos são empurrados com a barriga pelos gestores públicos, sobretudo porque os usuários do sistema não têm capacidade de pressão suficiente sobre as autoridades.
As cenas nas estações e paradas estão mostrando, superlotação, longas esperas, desinformação e um sentimento coletivo de abandono. Para milhares de trabalhadores, o direito básico de ir e vir está sendo comprometido e isso não pode continuar sendo tratado como algo normal ou inevitável. Isso evidencia o quanto o transporte sobre trilhos é essencial e o quanto precisa de mais investimentos, manutenção contínua e gestão qualificada.
Mas não basta olhar apenas para o trem. O problema é sistêmico. O transporte coletivo como um todo segue sendo tratado de forma secundária ao longo dos anos, muitas vezes negligenciado por diferentes governos de todas as esferas. Em alguns casos, há omissão e em outros, conivência com modelos de concessão que não exigem contrapartidas eficientes em momentos críticos.
Essa situação histórica, consolidou um sistema frágil, que colapsa diante de imprevistos que estão no radar e podem surgir a qualquer momento. Diante do que se vê, é urgente revisar protocolos, exigir planos emergenciais reais e integrar, de fato, todos os envolvidos. Transporte coletivo não pode depender da sorte ou do acaso, ele precisa de estrutura, fiscalização e responsabilidade.
As cenas que estão sendo vistas, são mais do que caóticas, elas estão sendo desumanas. E, acima de tudo, servem como alerta. O fato posto, é bem simples e claro, ou o sistema evolui, ou a população continuará pagando o preço da precariedade.
Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação
























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