O fenômeno das figurinhas: álbum da Copa reúne gerações em São Leopoldo
- Andressa Brunner Michels - Jornalista - MTB 19281/RS

- há 3 horas
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Trocas de figurinhas movimentam bibliotecas, livrarias e espaços públicos, aproximando famílias e incentivando a convivência fora das telas

O lançamento do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 desencadeou um fenômeno que vai muito além do colecionismo em todo país e em São Leopoldo não foi diferente. Nas últimas semanas, bibliotecas, livrarias e espaços públicos da cidade passaram a receber centenas de pessoas em encontros de troca de figurinhas que têm reunido crianças, adolescentes, adultos e idosos em torno de uma paixão compartilhada pelo futebol.
O que poderia parecer apenas uma brincadeira ligada ao universo esportivo se transformou em uma oportunidade de convivência, socialização e fortalecimento dos vínculos familiares. Em uma época marcada pelo uso intenso de celulares, computadores e redes sociais, os encontros presenciais têm chamado a atenção justamente por promoverem aquilo que muitos especialistas consideram cada vez mais raro: a interação face a face.
Biblioteca vira ponto de encontro dos colecionadores
Percebendo o entusiasmo em torno do álbum, a Biblioteca Pública Municipal Vianna Moog passou a sediar encontros semanais de troca de figurinhas promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult). Desde a primeira edição, realizada em maio, o espaço vem recebendo famílias inteiras em busca das figurinhas que faltam para completar suas coleções.
Para o secretário municipal de Cultura e Turismo, Geison Freitas, a iniciativa também contribui para aproximar a comunidade dos espaços culturais da cidade.
A segunda edição trouxe novidades, como banca para venda de figurinhas e food truck, ampliando a experiência dos participantes e consolidando a biblioteca como um dos principais pontos de encontro dos colecionadores leopoldenses.
Tradição mantida pela Livraria Steigleder
Outro espaço que tem concentrado grande público é a Livraria Steigleder, no bairro Rio Branco. A empresa mantém há anos a tradição dos encontros de troca de figurinhas durante os períodos de Copa do Mundo e, nesta edição, voltou a registrar grande movimentação.
Em diferentes sábados, centenas de pessoas ocuparam a calçada em frente à loja para negociar figurinhas, compartilhar experiências e reviver uma tradição que atravessa gerações.
Segundo a gerente da unidade Rio Branco, Claudinha Steigleder, o sucesso dos encontros demonstra que o hábito de colecionar figurinhas continua vivo e capaz de reunir pessoas de diferentes idades.
Entre os participantes dos encontros promovidos pela Livraria Steigleder estava o pequeno Enzo Mattje Duarte, de 7 anos. Acompanhado da mãe, da avó e da tia, ele chegou ao evento com um objetivo bem definido: encontrar as figurinhas que faltam para completar o álbum da Copa do Mundo.
Ansioso e empolgado com as possibilidades de troca, Enzo circulava entre os colecionadores mostrando as figurinhas repetidas e procurando as mais difíceis de encontrar.
“Estou quase conseguindo completar o álbum, faltam só 14 figurinhas, mas essas últimas estão sendo as mais difíceis de achar”, contou.
Enquanto Enzo busca completar sua coleção, a mãe, a avó e a tia participam da procura, transformando a missão em um programa compartilhado por toda a família.
Muito além do álbum
De acordo com a psicanalista Renata Bento, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, a dinâmica das trocas contribui para o desenvolvimento emocional das crianças ao estimular a criação de expectativas, a negociação e a convivência social.
A psicóloga e doutora em psicanálise Carolina Nassau Ribeiro destaca que a socialização desempenha papel fundamental na formação das habilidades emocionais e na resolução de conflitos. Durante as trocas, as crianças aprendem a lidar com frustrações, criar estratégias e buscar soluções para alcançar seus objetivos.
Em São Leopoldo, os resultados já podem ser vistos. Nas mesas improvisadas da biblioteca, nas calçadas da livraria ou nos corredores das escolas, o álbum da Copa de 2026 tem cumprido um papel que vai além das páginas preenchidas: aproximar pessoas.
Enquanto a busca pelas figurinhas raras continua, cresce também algo que não pode ser comprado em bancas ou encontrado dentro dos pacotinhos: o prazer da convivência, da amizade e das experiências compartilhadas entre gerações.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels

























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